sábado, 31 de julho de 2010

"O mosteiro é o lugar profético no qual a criação se torna louvor de Deus, e o preceito da caridade, vivida concretamente, se torna ideal de convivência humana, e onde o ser humano procura Deus sem barreiras nem impedimentos, tornando-se referência para todos, levando-os no coração e ajudando-os a procurar Deus."
João Paulo II, Carta Apostólica "ORIENTALE LUMEN", 9.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Por amor ao Eterno Pai,
e à Mãe de Deus sem pecado:
toda se deu ao Espírito
e ao Esposo, bem amado.

Virgem fiel e prudente,
modelo de santidade
escreveu com letras de ouro
poema d'eternidade.

As glórias vãs deste mundo
Beatriz soube rejeitar
p'ra seguir Divino Mestre
e não mais O abandonar.

Toda se deu a Deus,
por amor à Imaculada:
por Ela deu a vida,
por Ela foi adornada.

De virtude e de pureza:
marcada foi sua fronte,
é perfume de açucena
que nasce no alto monte.

Glória e louvor para sempre,
à Santíssima Trindade,
que transformou Beatriz
num canto de santidade.

P. Marcelino José Moreno Caldeira
Hino a Santa Beatriz da Silva
Fátima, Julho de 2000

quinta-feira, 22 de julho de 2010

"...a língua
é a que trás todos os males às comunidades
e ao mundo inteiro.
Falai pouco com as criaturas
e muito com Deus
e tereis muita tranquilidade."
Serva de Deus
madre Maria do Patrocínio oic

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Eis o que diz o Senhor: «Hei-de atrair ao meu amor a casa de Israel, hei-de conduzi-la ao deserto e falar-lhe ao coração. Ali corresponderá como nos dias da sua juventude, quando saiu da terra do Egipto. Nesse dia, diz o Senhor, chamar-Me-ás ‘meu marido’ e não ‘meu baal’. Farei de ti minha esposa para sempre, desposar-te-ei segundo a justiça e o direito, com amor e misericórdia. Desposar-te-ei com fidelidade e tu conhecerás o Senhor».
(Os 2, 16.17b-18.21-22)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Só Deus...
"... para a alma acertar no caminho para Deus e se unir com Ele, há-de ter a boca da vontade aberta só para Deus, vazia e sem nenhum pedaço de apetite, a fim de que Deus a encha e farte do seu amor e doçura; há-de viver com fome e sede só de Deus, sem querer satisfazer-se com mais nada, ... É o que ensina Isaías quando diz: Todos vós que tendes sede, vinde às águas, etc. (Is 55, 1). Ele convida os que têm sede só de Deus, e o apetite de nada, à abundância das águas vivas da união com Deus.”
São João da Cruz

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Viver recolhidas em Deus
Os lugares em que habitas devem ser a divindade do Altíssimo, a humanidade do meu Filho santíssimo e o segredo do teu interior. Na divindade hás-de viver como a pérola na sua concha e o peixe no mar, em cujos espaços intermináveis dilatarás os teus afectos e desejos. A humanidade santíssima será o muro que te defende e o seu peito o tálamo onde te reclinas e descansas debaixo da sombra das suas asas (Sl 17 [16], 8). O teu interior te dará pacifica alegria com o testemunho da consciência e ela te facilitará, se a conservas pura, o trato amigável e doce do teu Esposo. Para que a tudo isto te ajudes com o retiro corporal e sensível, gosto e quero que o guardes na tua tribuna ou cela e que só saias dela quando a força da obediência ou o exercício da caridade te compelirem a isso. E manifesto-te um segredo, há demónios destinados por Lúcifer, com ordem expressa sua, para que aguardem os religiosos e religiosas quando saiam fora do seu recolhimento, para investir logo e atacá-los com tentações que os derrubem. E estes não entram fácilmente nas celas, porque ali não há tanta ocasião de falar, ver e de usar mal os sentidos (...). Por isso atormenta-os o retiro e o recato que nele guardam os religiosos e aborrece-os, porque não conseguem vencê-los enquanto não os apanhem entre o perigo da conversação humana.
(Doutrina que deu a Rainha e Senhora do Céu
à venerável madre Maria de Jesus de Ágreda)

Venerável
Madre Maria de Jesus de Agreda oic
"Mistica Ciudad de Dios - Vida de Maria", Libro III - cap. 22, nº 280
Edição: MM. Concepcionistas de Agreda (Soria), Madrid, 1992, pg 460
(Tradução do Espanhol ao Português da responsabilidade do autor deste blog)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

...ninguém pode servir a dois senhores
Minha filha caríssima, não te admires de que o meu servo João temesse e dificultasse vir ao mundo, porque não sabem amá-lo tanto os filhos ignorantes do século, quanto sabem os sábios aborrecer-se dele e temer os seus perigos com ciência divina e luz do alto. Esta tinha em eminente grau o que nascia para percursor de meu Filho santíssimo, e por isso, conhecendo o erro, era natural o temor do que conhecia. Contudo, felizmente, serviu-lhe para entrar no mundo, porque o que mais o conhece e dele se enfada, navega mais seguro nas suas altas ondas e profundezas desordenadas. Com tanta repulsa, incompatibilidade e desprezo do que é terreno começou o ditoso menino a sua missão, que jamais deu tréguas a esta inimizade. Não fez as pazes, nem admitiu as venenosas lisonjas da carne, nem entregou os seus sentidos à vaidade, nem se abriram os seus olhos para vê-la, e nesta procura de se enfadar do mundo e tudo o que nele exista, deu a vida pela justiça. Não pode ser pacífico nem compactuar com a Babilónia o cidadão da verdadeira Jerusalém, nem é compatível solicitar a graça da Altíssimo, estar nela e juntamente manter amizade com os seus declarados inimigos; porque ninguém pôde nem pode servir a dois senhores, nem estar juntas a luz e as trevas, Cristo e Belial.
(Doutrina que deu a Rainha e Senhora do Céu
à venerável madre Maria de Jesus de Ágreda)

Venerável
Madre Maria de Jesus de Agreda oic
"Mistica Ciudad de Dios - Vida de Maria", Libro III - cap. 22, nº 278
Edição: MM. Concepcionistas de Agreda (Soria), Madrid, 1992, pg 459
(Tradução do Espanhol ao Português da responsabilidade do autor deste blog)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O monge e a separação do mundo (1)
“Jesus subiu depois a um monte, chamou os que Ele queria e foram ter com Ele” (Mc 3, 13),
“Ao romper do dia, saiu e retirou-se para um lugar solitário”
(Lc 4, 42),
“…subiu a um monte para orar na solidão” (Mt 14, 23)
e “Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco” (Mc 6, 31).
No coração do Deserto - a que somos chamados -, lugar de prova e de purificação da fé, o Pai conduz o monge por um caminho de total despojamento que se opõe a qualquer lógica do possuir, do sucesso e da felicidade ilusória. Este despojar-se requer uma ruptura radical com o mundo, que não é desprezo pelo mundo, mas uma orientação tomada para toda a existência numa busca assídua do Supremo Bem, de Deus: "Vós me seduzistes, Senhor, e eu me deixei seduzir" (Jr 20, 7) [cf. João Paulo II aos Cartuxos, 3 (14 de Maio de 2001)].
Os que não antepõem nada ao amor de Cristo (cf. Regra de São Bento, 4) alheiam-se e distanciam-se da conduta do mundo. Isto exige, segundo a tradição monástica, um certo grau de separação física: “Também o viver num lugar separado ajuda a alma a não dispersar-se. É nocivo, de facto, viver no meio daqueles que não têm temor, pelo contrário mostram desprezo diante da perfeita observância dos mandamentos. Demonstra-o aquela palavra de Salomão que nos ensina: "Não faças amizade com um homem colérico, nem vás a casa do violento, para não te habituares aos seus costumes e armares um laço contra a tua vida" (Pr 22, 24-25) e aquela palavra "Por isso, saí do meio dessa gente e afastai-vos, diz o Senhor. Não toqueis no que é impuro e Eu vos acolherei" (2Cor 6, 17) refere-se à mesma coisa. Para não ser levados a pecar (…) e para evitar habituarmo-nos ao pecado sem nos darmos conta, e para que não fique impresso na alma, para seu dano e ruína, a forma e a marca das coisas vistas e ouvidas, para que seja possível perseverar na oração, retiramo-nos antes de tudo para uma casa separada. Talvez assim possamos vencer os hábitos precedentes, com os quais tenhamos vivido alheios aos mandamentos de Cristo.” (BASILIO DI CESAREA, "Le Regole", Edizioni QiQajon/Comunità di Bose, Magnano, 1993, pgs.96/97). Assim, a localização e a estrutura do mosteiro deve garantir totalmente a quietude e a solidão dos seus moradores.
Deve zelar o abade/abadessa do mosteiro, bem como cada monge, para que nada nem ninguém altere ou viole esta santa atitude, fundamental à realização da vocação monástica.