quinta-feira, 16 de abril de 2009

Recolher-me-ei todo em Deus.
Já não rocem em mim as línguas humanas
mais que sopros de vento.
Estou cansado
das vozes de quem me repreende

ou de quem, mais que o devido, me exalta.
Busco a solidão,
um lugar inacessível ao mal,

onde, com mente indivisa,
procurar o meu Deus

e suavizar minha velhice
com a doce esperança do Céu.

O que deixarei à Igreja?
Deixarei as minhas lágrimas!

Volto os pensamentos
à morada que não conhece ocaso,

à minha querida Trindade, única luz,
da qual tão só a sombra escura
já me enternece.

São Gregório Nazianzeno

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Dois dos discípulos de Jesus
iam a caminho duma povoação chamada Emaús,
que ficava a duas léguas de Jerusalém.
Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido.
Enquanto falavam e discutiam,
Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho.
Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem.
Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas
que trocais entre vós pelo caminho?»
Pararam, com ar muito triste,
e um deles, chamado Cléofas,
respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém
a ignorar o que lá se passou nestes dias».
E Ele perguntou: «Que foi?»
Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré,
profeta poderoso em obras e palavras
diante de Deus e de todo o povo;
e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes
O entregaram para ser condenado à morte e crucificado.
Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel.
Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu.
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram:
foram de madrugada ao sepulcro,
não encontraram o corpo de Jesus
e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos
a anunciar que Ele estava vivo.
Alguns dos nossos foram ao sepulcro
e encontraram tudo como as mulheres tinham dito.
Mas a Ele não O viram».
Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito
para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram!
Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?»
Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas,
explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.
Ao chegarem perto da povoação para onde iam,
Jesus fez menção de seguir para diante.
Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo:
«Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite».
Jesus entrou e ficou com eles.
E quando Se pôs à mesa, tomou o pão,
recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho.
Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O.
Mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram então um para o outro:
«Não ardia cá dentro o nosso coração,
quando Ele nos falava pelo caminho
e nos explicava as Escrituras?»
Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém
e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles,
que diziam:
«Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão».
E eles contaram o que tinha acontecido no caminho
e como O tinham reconhecido ao partir o pão.
Lc 24, 13-35

segunda-feira, 13 de abril de 2009

VISITA FRATERNA DO MINISTRO GERAL OFM:
Comemoração dos 800 Anos da OFM, inicio das comemorações dos 800 das Clarissas (2012), dos 500 Anos do Mosteiro de Clarissas da Madre de Deus e dos 300 anos do Mosteiro de Clarissas do Louriçal

No passado dia 30 de Março, em iniciativa conjunta de celebração dos 800 anos da Ordem dos Frades Menores, do início das comemorações dos 800 anos da Ordem de Santa Clara (a concluir em 2012), e das celebrações dos 500 anos do Convento e Igreja da Madre de Deus, em Lisboa, bem como dos 300 anos do Mosteiro de Clarissas do Louriçal, o Ministro Geral, Frei José Rodríguez Carballo, presidiu a solene concelebração eucarística em que, em sólio próprio, participou Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo, e o Bispo de Bragança-Miranda, Dom Frei António Montes Moreira, bem como mais de quatro dezenas de sacerdotes religiosos: frades menores, conventuais e capuchinhos, e dois padres diocesanos. Entre os participantes, destaca-se a presença de 27 monjas Clarissas de Portugal e de Espanha, de sete monjas Concepcionistas dos Mosteiros de Campo Maior (madre Maria dos Anjos - abadessa, sor Isabel da Ssantíssima Trindade - mestra de noviças e sor Maria Manuel) e Viseu, além de numerosos representantes dos Institutos da Família Franciscana Portuguesa, da Ordem Franciscana Secular e da Juventude Franciscana (Jufra).

Na sua inolvidável homília, o Ministro Geral salientou, designadamente, a actualidade dos valores franciscanos e a força testemunhal do carisma de Francisco e de Clara de Assis na evangelização. Tais valores e carisma interpelam os tempos de hoje e a sociedade em globalização a exigir solidariedade e mística de fraternidade.

domingo, 12 de abril de 2009

TESTEMUNHAS DA RESSURREIÇÃO
«A fé dos Apóstolos em Jesus, o Messias esperado, tinha sido posta a uma prova duríssima pelo escândalo da cruz. Durante a sua prisão, condenação e morte, tinham-se dispersado, mas agora achavam-se novamente juntos, perplexos e desorientados. Mas o Ressuscitado faz-se presente diante da sua incrédula sede de certezas. Aquele encontro não foi um sonho, nem uma ilusão ou imaginação subjectiva; foi uma experiência verdadeira, apesar de inesperada e, precisamente por isto, particularmente comovedora. “Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: ‘A paz esteja convosco! ’ ”(Jo 20,19). Diante daquelas palavras, a fé quase apagada nos seus corações reacende-se. Os Apóstolos referiram a Tomé, ausente naquele primeiro encontro extraordinário, "Sim, o Senhor cumpriu aquilo que tinha anunciado; ressuscitou realmente; nós vimo-lo e tocámo-lo!" Tomé, porém, permaneceu duvidoso e perplexo. Quando, oito dias depois, Jesus veio pela segunda vez no Cenáculo, disse-lhe: “Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé”. A resposta do Apóstolo é uma profissão de fé comovedora: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 27-28)(Bento XVI 08/04/2007) «A tarefa do discípulo é testemunhar a morte e a ressurreição do seu Mestre e da sua vida nova. Por isso Jesus convida o seu amigo incrédulo a “tocá-lo”: quer torná-lo testemunha directa da sua ressurreição". (Bento XVI 08/04/2007)
E ainda hoje, o Ressuscitado, nos convida a encontrá-l’O e tocar-l’O, pois quer tornar-nos testemunhas da Sua Ressurreição. Convida-nos igualmente a que nos deixemos tocar por Ele, pelo Seu Amor, pela Sua Graça, pela Sua força. E depois deste toque transformante de Amor, amparados pela força do Espírito Santo, não podemos deixar de ser Suas testemunhas… não podemos deixar de anunciar aos outros, pela PALAVRA e pela VIDA, “Vimos o Senhor!” (Jo 20, 25). Milhões de homens e mulheres, aos longo dos últimos 2000 anos deixaram-se tocar pela Sua Graça e pelo Seu Amor e por isso não puderam mais viver sem Ele, sem ser Suas testemunhas da Sua Ressurreição. Como eles, façamos também nós esta experiência de encontro com o Ressuscitado, toquemo-l’O e deixemo-nos tocar por Ele, entramos nesta feliz aventura de nos despir das obras das trevas e revestir das armas da luz (cf. Rm 13, 12) e de reproduzir na nossa vida a Boa Nova do Ressuscitado, testemunhemos a Sua Ressurreição. Que olhando para nós, os Homens nossos irmãos identifiquem os gestos, as atitudes, os comportamentos, a voz... de Jesus. É que o Seu toque de Amor transforma-nos e vai-nos tornando cada vez mais parecidos a Ele. O Seu toque de Amor vai-nos ajudando a dizer cada vez com mais verdade: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20) e “… para mim, viver é Cristo…” (Fl 2, 21). Deixemos que o Ressuscitado opere em nós este milagre de Vida Nova e assim como Maria Madalena, Tomé, os outros apóstolos e milhões de cristão aos longo da história sejamos testemunhas da morte e ressurreição de Cristo.
«Que a Virgem Maria nos ajude a saborear plenamente a alegria pascal, para que, amparados pela força do Espírito Santo, nos tornemos capazes de difundi-la nos lugares onde vivemos e actuamos. Boa Páscoa a todos!» (Bento XVI, 11/4/2007)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Na Sua Cruz,
as nossas cruzes...
Na Sua Dor,
as nossas dores...
No Seu grito: "Meu Deus, Meu Deus, porquê me abandonaste?",
os nossos abandonos...
Na Sua morte,
a nossa morte para o pecado...
Na Sua Ressurreição,
a nossa vida, Vida Nova em abundância.
JESUS CRUCIFICADO
Ali está tudo.
É o Livro dos livros.
É o Compêndio de todo o saber.
É o Amor mais ardente.
É o Modelo perfeito.
Proponhamo-no-lO como Único ideal da vida.
Foi Ele quem arrastou São Paulo a uma tal santidade...
Que a nossa alma, necessitada de amor,
O coloque diante de si sempre,
em cada momento presente.
Não seja sentimentalismo o nosso amor.
Não seja compaixão exterior.
Seja conformidade a Ele.
Chiara Lubich
in "O grito", Cidade Nova, Parede, 2000, pgs.37.38

quinta-feira, 2 de abril de 2009

“testemunha excelsa de Jesus Cristo e do Evangelho”
Quarto aniversário da morte de João Paulo II
do Testamento de João Paulo II
Totus Tuus ego sum
Em nome da Santíssima Trindade. Amen.
Hoje desejo acrescentar apenas isto, que cada um deve ter presente a perspectiva da morte. E deve estar pronto a apresentar-se diante do Senhor e do Juiz – e ao mesmo tempo Redentor e Pai. Eu também tomo isto em consideração continuamente, confiando esse momento decisivo à Mãe de Cristo e da Igreja – à Mãe da minha esperança.
Uma vez mais desejo confiar-me totalmente à graça do Senhor. Ele mesmo decidirá quando e como devo terminar a minha vida terrena e o ministério pastoral. Na vida e na morte
Totus Tuus, através da Imaculada. Aceitando desde agora esta morte, espero que Cristo me dê a graça para a última passagem, quer dizer, a (minha) Páscoa. Espero também que a torne útil para a causa mais importante que procuro servir: a salvação dos homens, a salvaguarda da família humana, e nela de todas as nações e povos (entre eles refiro-me também em particular à minha Pátria terrena), útil para as pessoas que de modo particular me confiou, para a questão da Igreja, para a glória do próprio Deus.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Questão Franciscana
Concepcionistas
ou Concepcionistas Franciscanas?

A Ordem Concepcionista é distinta de qualquer outra na Igreja e bastaria para a sua identificação designá-la com esse nome (Ordem da Imaculada Conceição ou monjas Concepcionistas), sem acrescentos; se, como é tradição secular, se lhe quer acrescentar Franciscanas, que isto não seja em detrimento do conteúdo Imaculista frente ao componente franciscano. Em todo o caso, é evidente a afinidade espiritual, benéfica para ambas. Posto que Júlio II as desligou totalmente das Clarissas, dando-lhe a sua própria Regra, parece-me inadequado que no calendário franciscano venham assinaladas como Monjas da Segunda Ordem Franciscana ou Clarissas, pois não o são. (…) Os franciscanos temos uma formosa missão encomendada pela Igreja: ajudar as Concepcionistas a viver o seu próprio carisma (…) não pretendendo fazê-las mais franciscanas mas deixando-as que sejam mais Concepcionistas.
(GARCÍA SANTOS, José, OFM, La Regla de Santa Beatriz de Silva. Estudio Comparado, idem, p. 187)