Frei António de Sant'Anna Galvão nasceu em 1739, em Guaratinguetá, São Paulo (Brasil). O ambiente familiar era profundamente religioso. O pai, António Galvão de França, era imigrante português e Capitão-mor da cidade. Sua mãe, Isabel Leite de Barros, era filha de fazendeiros, bisneta do famoso bandeirante Fernão Dias Pais, o "caçador de esmeraldas".
António viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestígio social e influência política. O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades económicas, mandou o filho com a idade de 13 anos para o Colégio de Belém, dos padres jesuítas, na Bahia, onde já se encontrava seu irmão José. Lá fez grandes progressos nos estudos e na prática cristã, de 1752 a 1756.
Queria tornar-se jesuíta, mas por causa da perseguição movida contra os jesuítas pelo Marquês de Pombal, seu pai o aconselhou a entrar para os franciscanos, que tinham um convento em Taubaté, não muito longe de Guaratinguetá.
Assim, renunciou a um futuro promissor e influente na sociedade de então, e aos 21 anos, entrou para o noviciado na Vila de Macacu, no Rio de Janeiro. Lá distinguia-se pela piedade e virtudes. A 16 de Abril de 1761 fez seus votos solenes. Um ano após foi admitido à ordenação sacerdotal, pois julgaram seus estudos suficientes. Este privilégio mostra a confiança que nutriam pelo jovem clérigo. Foi então mandado para o Convento de São Francisco em São Paulo a fim de aperfeiçoar os seus estudos de filosofia e teologia, e exercitar-se no apostolado. Data dessa época a sua "entrega a Maria", como seu "filho e escravo perpétuo", consagração mariana assinada com seu próprio sangue a 9 de Novembro de 1766.
Terminados os estudos foi nomeado Pregador, Confessor dos Leigos e Porteiro do Convento, cargo este considerado de muita importância, pela comunicação com as pessoas e o grande apostolado resultante. Foi confessor estimado e procurado e, muitas vezes, quando era chamado ia sempre a pé mesmo nos lugares mais distantes.
Em 1769-70 foi designado Confessor de um Recolhimento de piedosas mulheres, as "Recolhidas de Santa Teresa", em São Paulo. Neste Recolhimento encontrou Irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa de profunda oração e grande penitência que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento. Frei Galvão, ouvindo também o parecer de pessoas sábias e esclarecidas, considerou válidas essas visões.
No dia 2 de Fevereiro de 1774 foi oficialmente fundado o novo Recolhimento, com hábito, regra, constituições, tradições e maneira de Rezar da Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Santa Beatriz da Silva.
Em 23 de Fevereiro de 1775, um ano após a fundação, Madre Helena morreu improvisamente. Frei Galvão tornou-se o único sustentáculo das Recolhidas, missão que exerceu com humildade e grande prudência. Enquanto isso o novo Capitão-general de São Paulo, homem inflexível e duro, retirou a permissão e ordenou o fechamento do Recolhimento. Fazia isso para opor-se ao seu predecessor, que havia promovido a fundação. Frei Galvão aceitou com fé e também as recolhidas obedeceram, mas não deixaram a casa e resistiram até os extremos das forças físicas. Depois de um mês, graças a pressão do povo e do Bispo, o recolhimento foi aberto.
Devido ao grande número de vocações, o Servo de Deus se viu obrigado a aumentar o recolhimento. Durante 14 anos cuidou dessa nova construção (1774-1788) e outros 14 para a construção da igreja (1788-1802), inaugurada a 15 de Agosto de 1802. Frei Galvão foi arquitecto, mestre de obras e até pedreiro! Frei Galvão, além da construção e dos encargos especiais dentro e fora da Ordem Franciscana, deu toda a atenção e o melhor de suas forças à formação das Recolhidas. Era para elas verdadeiro pai e mestre. Para elas escreveu um estatuto, excelente guia de vida interior e de disciplina religiosa. Esse é o principal escrito de Frei Galvão, e que melhor manifesta a sua personalidade.
Frei Galvão era considerado santo já em vida e a cidade fez dele o seu prisioneiro. Em várias ocasiões as exigências da sua Ordem Religiosa pediam que se mudasse para outro lugar para realizar outras funções, mas tanto o povo e as Recolhidas, como o bispo, e mesmo a Câmara Municipal de São Paulo intervieram para que ele não saísse da cidade. Diz uma carta do "Senado da Câmara de São Paulo" ao Provincial (superior) de Frei Galvão: "Este homem tão necessário às religiosas da Luz, é preciosíssimo a toda esta Cidade e Vilas da Capitania de São Paulo, é homem religiosíssimo e de prudente conselho; todos acorrem a pedir-lho; é homem da paz e da caridade".
Frei Galvão viajava constantemente pela Capitania de São Paulo, pregando e atendendo as pessoas. Fazia todos esses trajectos sempre a pé, não usava cavalos nem a 'cadeirinha' levada por escravos, o que era absolutamente normal para aquele tempo. Vilas distantes 60 km ou mais, cidades do litoral, ou mesmo viajando para o Rio de Janeiro, enfim, não havia obstáculos para o seu zelo apostólico. Por onde passava as multidões acorriam. Ele era alto e forte, de trato muito amável, recebendo a todos com grande caridade.
Frei Galvão era homem de muita e intensa oração, e dele se atestam certos fenómenos místicos, como os êxtases e a levitação. São famosos em sua vida os casos de bilocação: estando em determinado lugar, aparecia em outro, improvisamente, para atender um doente ou moribundo que precisava da sua atenção.
Em 1811, a pedido do bispo de São Paulo, Frei Galvão fundou o Recolhimento de Santa Clara em Sorocaba, São Paulo, onde permaneceu por 11 meses para encaminhar a nova fundação e comunidade.
Faleceu em 23 de Dezembro de 1822 e a pedido do povo e das irmãs foi sepultado na igreja do Recolhimento da Luz, que ele mesmo construíra.
Foi beatificado em 25 de Outubro de 1998 pelo papa João Paulo II e Bento XVI canonizou-o em 2007.
(fonte: cf. Santos do Brasil.org)
Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz
Avenida Tiradentes, 676 - Bairro da Luz
01102-000 São Paulo SP
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
da Ordem da Imaculada Conceição
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Beato Libério González Nombela,
presbítero e mártir
Capelão do Mosteiro
da Imaculada Conceição de Torrijos
Nasceu em Santa Ana de Pusa (Toledo/Espanha) a 30 de Dezembro de 1895.
Excelente estudante, obteve o doutoramento em Sagrada Teologia. Recebeu a ordenação sacerdotal a 21 de Dezembro de 1918.
Os seus primeiros destinos foram como coadjutor, em Mora de Toledo (1919) e, no ano seguinte, em Bargas; capelão das monjas da Companhia de Maria e professor do Seminário Menor de Talavera de la Reina, em 1920-1921. Em 1922 passou a Toledo como coadjutor da paróquia de Santiago Apóstolo. Dois anos depois, ecónomo da paróquia dos Santos Justo e Pastor. Finalmente chegou a Torrijos em 1925, para se tornar pároco a 26 de Abril de 1926. Foi nomeado pároco da Colegiada do Santíssimo Sacramento de Torrijos (Toledo), fundada pela Serva de Deus Teresa Enríquez e capelão do Mosteiro da Imaculada Conceição também de Torrijos (o 2º da Ordem) cuja fundação se deve iniciativa da anteriormente referida Serva de Deus.
O que na paróquia de Torrijos trabalhou, dificilmente o poderá enumerar alguém. Fundou mil obras de piedade, de zelo e de caridade. Todas as actividades apostólicas ele acompanhava e acolhia: Adoração Nocturna, Acção Católica, nos seus diversos ramos, as Filhas de Maria, Pais de Família, catequese, escolas dominicais, Conferências de São Vicente de Paulo, socorro dos pobres, Apostolado de Oração, escolas nocturnas de operários e, sobretudo, as escolas católicas para se opor ao ensino laico, hostil à doutrina da Igreja.
No dia 5 de Março de 1936, depois das fatídicas eleições do mês anterior, que tinham dado o triunfo às forças revolucionárias, a turba torrijana manifestou-se publicamente pedindo aos gritos a expulsão do pároco e procuraram-no com diabólica intenção. Ele escondeu-se, prudentemente aconselhado, no hospital do Santíssimo Cristo. Ali passou a última noite de vida na sua paróquia, ao fim de onze anos de trabalho heróico. No dia seguinte, 6 de Março, acompanhado pelo seu irmão João, abandonou a paróquia e refugiou-se em Santa Ana de Pusa, na casa de seus pais. Ante a impossibilidade de voltar a Torrijos, a 5 de Maio de mesmo ano 1936, o cardeal de Toledo nomeou-o pároco de Los Navalmorales. Dois meses mais tarde, a 23 de Julho do mesmo ano, as autoridades locais fecharam a Igreja e proibiram todo o tipo de culto.
O Servo de Deus não teve outro remédio que refugiar-se de novo em casa de seus pais, que viviam em Santa Ana de Pusa, a 8 km de distância. Fez o caminho vestido de batina e a pé, no entanto quando chegou, a turba esperava-o para prendê-lo. Era as três da tarde do 18 de Agosto de 1936. Fui detido e conduzido ao edifício da Câmara Municipal. No caminho mandaram parar o camião e fizeram-no descer pondo-o junto a um poste de telefone, propositadamente dispararam várias vezes sem o atingir, como simulando um fuzilamento. O condutor do camião declarou que, enquanto interrogaram na Câmara de Torrijos ao Padre Libério, mandaram-no a ele e ao seu cunhado com dez milicianos a fuzilar o pároco de Santa Ana de Pusa, o Servo de Deus João Francisco Fernández, que também tinham preso. Entretanto, uma tumultuosa manifestação, como se fosse uma romaria, levava o Padre Libério ao martírio. Subiram-no de novo para o camião. Chegados ao cruzamento de Barcience, mandaram-no descer e obrigaram-no a caminhar. Quando já lhe estavam apontando os fusiles, disse em voz alta: “Deus perdoar-vos-á”. Soou uma descarga cerrada de muitos, mais de cem tiros, e ficou imediatamente morto.
Foi beatificado, em Roma, a 28 de Outubro de 2007, por Sua Eminência o Sr. D. José Saraiva Martins, delegado do Santo Padre, no grupo dos 498 Mártires da Guerra Civil de Espanha.
Monasterio de la Inmaculdada Concepción
C/ Ntra. Sra. Del Rosario, 24-45500 TORRIJOS
(Toledo) España
Email: concep-torrijos@telefonica.net
Capelão do Mosteiro
da Imaculada Conceição de Torrijos
Nasceu em Santa Ana de Pusa (Toledo/Espanha) a 30 de Dezembro de 1895.
Excelente estudante, obteve o doutoramento em Sagrada Teologia. Recebeu a ordenação sacerdotal a 21 de Dezembro de 1918.
Os seus primeiros destinos foram como coadjutor, em Mora de Toledo (1919) e, no ano seguinte, em Bargas; capelão das monjas da Companhia de Maria e professor do Seminário Menor de Talavera de la Reina, em 1920-1921. Em 1922 passou a Toledo como coadjutor da paróquia de Santiago Apóstolo. Dois anos depois, ecónomo da paróquia dos Santos Justo e Pastor. Finalmente chegou a Torrijos em 1925, para se tornar pároco a 26 de Abril de 1926. Foi nomeado pároco da Colegiada do Santíssimo Sacramento de Torrijos (Toledo), fundada pela Serva de Deus Teresa Enríquez e capelão do Mosteiro da Imaculada Conceição também de Torrijos (o 2º da Ordem) cuja fundação se deve iniciativa da anteriormente referida Serva de Deus.
O que na paróquia de Torrijos trabalhou, dificilmente o poderá enumerar alguém. Fundou mil obras de piedade, de zelo e de caridade. Todas as actividades apostólicas ele acompanhava e acolhia: Adoração Nocturna, Acção Católica, nos seus diversos ramos, as Filhas de Maria, Pais de Família, catequese, escolas dominicais, Conferências de São Vicente de Paulo, socorro dos pobres, Apostolado de Oração, escolas nocturnas de operários e, sobretudo, as escolas católicas para se opor ao ensino laico, hostil à doutrina da Igreja.
No dia 5 de Março de 1936, depois das fatídicas eleições do mês anterior, que tinham dado o triunfo às forças revolucionárias, a turba torrijana manifestou-se publicamente pedindo aos gritos a expulsão do pároco e procuraram-no com diabólica intenção. Ele escondeu-se, prudentemente aconselhado, no hospital do Santíssimo Cristo. Ali passou a última noite de vida na sua paróquia, ao fim de onze anos de trabalho heróico. No dia seguinte, 6 de Março, acompanhado pelo seu irmão João, abandonou a paróquia e refugiou-se em Santa Ana de Pusa, na casa de seus pais. Ante a impossibilidade de voltar a Torrijos, a 5 de Maio de mesmo ano 1936, o cardeal de Toledo nomeou-o pároco de Los Navalmorales. Dois meses mais tarde, a 23 de Julho do mesmo ano, as autoridades locais fecharam a Igreja e proibiram todo o tipo de culto.
O Servo de Deus não teve outro remédio que refugiar-se de novo em casa de seus pais, que viviam em Santa Ana de Pusa, a 8 km de distância. Fez o caminho vestido de batina e a pé, no entanto quando chegou, a turba esperava-o para prendê-lo. Era as três da tarde do 18 de Agosto de 1936. Fui detido e conduzido ao edifício da Câmara Municipal. No caminho mandaram parar o camião e fizeram-no descer pondo-o junto a um poste de telefone, propositadamente dispararam várias vezes sem o atingir, como simulando um fuzilamento. O condutor do camião declarou que, enquanto interrogaram na Câmara de Torrijos ao Padre Libério, mandaram-no a ele e ao seu cunhado com dez milicianos a fuzilar o pároco de Santa Ana de Pusa, o Servo de Deus João Francisco Fernández, que também tinham preso. Entretanto, uma tumultuosa manifestação, como se fosse uma romaria, levava o Padre Libério ao martírio. Subiram-no de novo para o camião. Chegados ao cruzamento de Barcience, mandaram-no descer e obrigaram-no a caminhar. Quando já lhe estavam apontando os fusiles, disse em voz alta: “Deus perdoar-vos-á”. Soou uma descarga cerrada de muitos, mais de cem tiros, e ficou imediatamente morto.
Foi beatificado, em Roma, a 28 de Outubro de 2007, por Sua Eminência o Sr. D. José Saraiva Martins, delegado do Santo Padre, no grupo dos 498 Mártires da Guerra Civil de Espanha.
Oração
Oh Deus, que embelezastes a Vossa Igreja com o sangue derramado dos Beatos Libério e companheiros mártires, concede-nos por sua intercessão a graça que agora Vos suplicamos (pede-se a graça) e, sobre tudo, que o exemplo do seu martírio nos abrase do Vosso Amor, nos mova a viver em verdade a vida cristã e a desejar morrer professando o Vosso Nome. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor que é Deus Convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen.Monasterio de la Inmaculdada Concepción
C/ Ntra. Sra. Del Rosario, 24-45500 TORRIJOS
(Toledo) España
Email: concep-torrijos@telefonica.net
Serva de DeusTeresa Enríquez, leiga
“a louca do Sacramento”
fundadora do 2º Mosteiro da Ordem da Imaculada Conceição
Teresa esteve sempre muito unida a Isabel “a Católica”, quer pela sua dedicação à Caridade e à religião, quer por estar casada com um dos homens mais próximo dos reis Católicos (Fernando e Isabel) em todos os negócios de maior importância. Don Gutierre de Cárdenas era Contador Mayor dos Reis Católicos. Teresa era sempre companheira incondicional e colaboradora de Isabel. Destacamos o seu trabalho no longo assédio à cidade de Granada, onde trabalhou como enfermeira carinhosa no Hospital de Sangue de Santa Fé, instalado pela reina. Ali acudia solícita, para todos os serviços mais repugnantes, cuidando e curando os soldados, levando-lhes roupas, ligaduras e alimentos como a mais carinhosa das mães.
Enquanto viveu o seu marido, Teresa devia acompanhá-lo participando inclusivamente nas festas da corte. Contudo, mesmo nestes casos, quando por razão do seu estado tinha que acompanhar o seu esposo elegante e cheia de jóias, dirigia-se ao seu Cristo amado, orando no seu interior com aquelas palavras que chegaram até nós: «Tu bem sabes, Senhor, que estes arreios a mim nunca me seduziram».
Ao morrer Don Gutierre em 1503, Teresa dá um adeus a todo o que é deste mundo e retira-se para a sua Vila de Torrijos, para dar boa conta de todos os seus bens a Deus, repartindo-os em múltiplas obras de caridade, dando-se ela mesma, em primeiro lugar, desprendida de todo o luxo, vestindo e vivendo como pobre, com um hábito de estamenha negra.
Teresa fundou dois hospitais, dotou largamente a raparigas que se davam à má vida para que se casassem dignamente, e também às órfãs em perigo. Em anos de seca e más colheitas, a todos os trabalhadores que quisessem, ela dava-lhe pasto para os animais. Também dava semente e até juntas de bois aos que no os tinham. Tudo isto em troca de rendas simbólicas que Teresa repartia pelos seus pobres.
Tendo tomado conhecimento do heroísmo de caridade do sacerdote sevilhano Fernando de Contreras, chamou-o a Torrijos para assumir a direcção de um Colégio para órfãos, que ela fundou, os quais vestia e alimentava e atendia ela mesma, dirigidos por este sacerdote, vinte anos mais novo que ela, que foi seu grande conselheiro e colaborador nos últimos anos da sua vida.
Quando ainda não existiam os Seminários, Teresa fundou em Torrijos um Colégio chamado de Moços de Coro, porque, ao mesmo tempo que realizavam os seus estudos, encarregavam-se dos louvores divinos, que era a maior alegria e desejo desta alma grande. Aqui fundo as célebres Confrarias do Santíssimo Sacramento, que se estenderam, graças ao seu zelo, por toda Europa e até pela América. A sua finalidade destinava-se a promover e valorizar tudo o que desse maior esplendor ao se culto divino e à atenção aos sacrários abandonados. Segundo a tradição, com as próprias mãos espremia as uvas para que se fizesse o vinho a usar na Santa Missa. Por todas partes, tanto em Espanha como no estrangeiro, tinha uma espécie de detectives que a informavam de como era venerada a Eucaristia. Este culto de amor quis perpetuá-lo fundando mosteiros e conventos para que nunca faltasse o louvor divino. Ela mesma, abrasada no amor da Eucaristia (o Papa Júlio II chamava-a a louca do Sacramento) passava horas e horas diante do Sacrário numa tribuna aonde chegava através de um passadiço que mandou construir desde o seu palácio até à Colegiata do Corpus Christi.
Estimava as almas contemplativas, e através da reina Isabel conheceu e conviveu de muito perto com Santa Beatriz da Silva e sua Ordem da Imaculada Conceição. A santa morreu, contudo Teresa continuou favorecendo as suas filhas. Foi ela a responsável da fundação do segundo Mosteiro da Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Santa Beatriz da Silva, o de Torrijos (1507).
O seu corpo, depois de 470 anos da sua morte, conserva-se incorrupto no mosteiro das Concepcionistas (monjas da Ordem da Imaculada Conceição) de Torrijos.
A sua causa de beatificação e canonização iniciou-se em Toledo no ano 2001 e a clausura do processo diocesano deu-se em Torrijos a 30 de Novembro de 2002. Os cardiais já aprovaram o processo diocesano. Com este passo já se pode continuar a trabalhar na redacção da “Positio”, a cuja aprovação seguirá a declaração de virtudes heróicas e o título de Venerável.
Monasterio de la Inmaculdada Concepción
C/ Ntra. Sra. Del Rosario, 24-45500 TORRIJOS
(Toledo) España
Email: concep-torrijos@telefonica.net
(texto da cronista do Mosteiro Concepcionista da Imaculada Conceição de Torrijos, traduzido e adaptado para Português pelo P. Marcelino José Moreno Caldeira)C/ Ntra. Sra. Del Rosario, 24-45500 TORRIJOS
(Toledo) España
Email: concep-torrijos@telefonica.net
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Encontro e renovação...Se o contemplativo se retira do mundo, não é porque deserte dele ou dos seus irmãos: permanece enraizado com todo o seu ser na terra em que nasceu, cujas riquezas herdou e cujas preocupações e aspirações tentou assumir. É para recolher-se mais intensamente na Fonte Divina, onde se originam as forças que impulsionam o mundo e para compreender a esta luz os grandes desígnios do homem. Com efeito, é no deserto onde, com frequência, é acolhida pela alma a inspirações mais altas. É ali onde Deus moldou o seu povo, ali onde, depois da sua falta, o conduziu “para seduzi-lo e falar-lhe ao coração” (Os 2, 16). É também ali onde o Senhor Jesus, depois de ter vencido o diabo, manifestou todo o seu poder e preludiou a sua vitória de Páscoa.
Não é precisamente de uma experiência análoga que deve renascer e renovar-se em cada geração o povo de Deus? O contemplativo que por vocação se retirou a este deserto espiritual, tem a impressão de se ter estabelecido nas fontes da própria Igreja: não lhe parece que a sua experiência seja exotérica, mas sim típica de toda a experiência cristã. Sabe reconhecer-se nas provas e tentações que assaltam os cristãos. Compreende estas penas e discerne o seu sentido. Conhece toda a amargura e angústia da noite escura: “Meu Deus, meu Deus, porquê me abandonaste?” (Sl 21,2; cf. Mt 27,46); no entanto, também sabe, pela história de Cristo, que Deus vence a morte.
Não é precisamente de uma experiência análoga que deve renascer e renovar-se em cada geração o povo de Deus? O contemplativo que por vocação se retirou a este deserto espiritual, tem a impressão de se ter estabelecido nas fontes da própria Igreja: não lhe parece que a sua experiência seja exotérica, mas sim típica de toda a experiência cristã. Sabe reconhecer-se nas provas e tentações que assaltam os cristãos. Compreende estas penas e discerne o seu sentido. Conhece toda a amargura e angústia da noite escura: “Meu Deus, meu Deus, porquê me abandonaste?” (Sl 21,2; cf. Mt 27,46); no entanto, também sabe, pela história de Cristo, que Deus vence a morte.
(intervenção de um monge no Sínodo dos Bispos de 1967)
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Gratuidade e Amor...A raiz da vida monástica encontra-se,
mais ou menos explícita,
na consciência do amor incompreensível
com que Deus nos ama gratuitamente.
Para responder a este amor, o monge consagra a sua vida a Deus,
não como uma simples perca mas como pura gratuidade.
Quer estar com Deus, permanecer e conversar com Ele
no segredo e silêncio de uma presença íntima e contínua,
que é a forma primeira e fundamental do amor.
Crê que Deus merece ser procurado, servido, adorado e amado
por Ele mesmo, gratuitamente.
Não o inquieta a fecundidade espiritual ou apostólica,
porque está convencido que essa fecundidade é fruto do amor,
o qual não se encontra no plano das palavras ou da acção,
nem sequer no da oração,
mas sim no plano do ser.
A vida monástica é na Igreja e no mundo
um testemunho da gratuidade e do amor.
A. Southey
domingo, 17 de agosto de 2008
Da Homilia de Paulo VI na canonização de Stª Beatriz da Silva
... a elequência mais evidente da vida
... a elequência mais evidente da vida
Da nova Santa não nos é possível tecer o breve elogio que se costuma fazer no momento de uma canonização e que parece projectar perante os nossos olhos radiantes os traços de um rosto glorioso porque, assim como o rosto extraordinário, belo e puro de Beatriz da Silva permaneceu velado por longos anos da sua vida terrena, até à sua bem-aventurada morte, assim também muitos aspectos da sua biografia só chegaram até nós por reflexos, como PER SPECULUM IN AENIGMATE - através de um espelho e de modo confuso - (cf. 1 Cor 13, 12), na documentação histórica através da qual ela transparece como figura inocente, humilde e luminosa, apesar de não conceder à nossa humana mas legítima curiosidade sinal algum de expressão pessoal. Assomam aos lábios as palavras de Dante: OV'E BEATRIC - onde estás Beatriz? - (A Divina Comédia, Paraíso, canto 32, verso 85); ou as palavras bíblicas em que vibra o amor místico: MINHA POMBA ... MOSTRA-ME O TEU ROSTO, FAZ-ME OUVIR A TUA VOZ, PORQUE A TUA VOZ É SUAVE E GRACIOSO O TEU ROSTO (Ct 2, 14).
Porque efectivamente, nenhuma palavra desta Santa chegou até nós nas suas sílabas textuais, e por conseguinte, nenhum eco da sua voz; nem escrito algum da sua mão, ou algum retrato do seu rosto demasiado belo, como se dizia, para que não fosse, na sua juventude, causa de turbação. E nem sequer os estatutos definitivos da Regra para a família religiosa que Ela fundou, inaugurando com a sua própria morte o nascimento da mesma família.
Mas, então, uma pergunta surge no espírito de quem dirige a atenção e a devoção para esta cidade do céu: será uma lenda a sua vida? Será fruto de um mito? Não, não é! Beatriz da Silva antes de entrar no reino eterno do céu, foi cidadã da terra: e o seu registo, e mais ainda a sua obra de Fundadora de uma nova e ainda hoje florescentíssima Família Religiosa, a das Monjas da Santíssima Conceição de Maria, não deixam dúvida alguma, antes conferem certeza particular e edificante exemplaridade à história hagiográfica desta esplêndida figura.
Santa Beatriz da Silva, portuguesa de nascimento, passou a maior parte da sua existência terrena em terras de Espanha, Mulher que ao nosso coração de crentes fala, se não com os escritos, sim com a eloquência mais convincente da vida.
(da Homilia de Paulo VI, proferida na Canonização de Santa Beatriz da Silva a 3 de Outubro de 1976, na Basílica Vaticana de São Pedro)
Porque efectivamente, nenhuma palavra desta Santa chegou até nós nas suas sílabas textuais, e por conseguinte, nenhum eco da sua voz; nem escrito algum da sua mão, ou algum retrato do seu rosto demasiado belo, como se dizia, para que não fosse, na sua juventude, causa de turbação. E nem sequer os estatutos definitivos da Regra para a família religiosa que Ela fundou, inaugurando com a sua própria morte o nascimento da mesma família.
Mas, então, uma pergunta surge no espírito de quem dirige a atenção e a devoção para esta cidade do céu: será uma lenda a sua vida? Será fruto de um mito? Não, não é! Beatriz da Silva antes de entrar no reino eterno do céu, foi cidadã da terra: e o seu registo, e mais ainda a sua obra de Fundadora de uma nova e ainda hoje florescentíssima Família Religiosa, a das Monjas da Santíssima Conceição de Maria, não deixam dúvida alguma, antes conferem certeza particular e edificante exemplaridade à história hagiográfica desta esplêndida figura.
Santa Beatriz da Silva, portuguesa de nascimento, passou a maior parte da sua existência terrena em terras de Espanha, Mulher que ao nosso coração de crentes fala, se não com os escritos, sim com a eloquência mais convincente da vida.
(da Homilia de Paulo VI, proferida na Canonização de Santa Beatriz da Silva a 3 de Outubro de 1976, na Basílica Vaticana de São Pedro)
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Era necessário que Aquela que no parto tinha conservado ilesa a sua virgindade conservasse também sem nenhuma corrupção o seu corpo depois da morte.
Era necessário que Aquela que trouxera no seio o Criador feito menino fosse habitar nos divinos tabernáculos.
Era necessário que a Esposa que o Pai desposara fosse morar com o Esposo celeste.
Era necessário que Aquela que tinha visto o seu Filho na cruz e recebera no coração a espada de dor de que tinha sido preservada ao dá l’O à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai.
Era necessário que a Mãe de Deus possuísse o que pertence ao Filho e que todas as criaturas a honrassem como Mãe e Serva de Deus.
Era necessário que Aquela que trouxera no seio o Criador feito menino fosse habitar nos divinos tabernáculos.
Era necessário que a Esposa que o Pai desposara fosse morar com o Esposo celeste.
Era necessário que Aquela que tinha visto o seu Filho na cruz e recebera no coração a espada de dor de que tinha sido preservada ao dá l’O à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai.
Era necessário que a Mãe de Deus possuísse o que pertence ao Filho e que todas as criaturas a honrassem como Mãe e Serva de Deus.
São João Damasceno
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Venerável
soror Custódia Maria do Sacramento oic
virgem e monja Portuguesa
da Ordem da Imaculada Conceição ,
1706-1739
Foi filha do Sr. Manuel Ribeiro Veiga e da Srª Dª Catarina Couto, sua mulher, moradores na Quinta da Veiga de Penzo, periferia da cidade de Braga. Nasceu a 17 de Junho de 1706 e foi baptizada ao fim de três dias pelo seu tio materno, o Padre João de Couto, Reitor de Ronfe. No baptismo recebeu o nome de Custódia.
De família ilustre e aparentada com as nobres famílias dos Sousas, Abreus, Magalhães e Vasconcelos, Custódia era a mais nova dos oito filhos de Manuel e Catarina.
virgem e monja Portuguesa

da Ordem da Imaculada Conceição
1706-1739
Foi filha do Sr. Manuel Ribeiro Veiga e da Srª Dª Catarina Couto, sua mulher, moradores na Quinta da Veiga de Penzo, periferia da cidade de Braga. Nasceu a 17 de Junho de 1706 e foi baptizada ao fim de três dias pelo seu tio materno, o Padre João de Couto, Reitor de Ronfe. No baptismo recebeu o nome de Custódia.
De família ilustre e aparentada com as nobres famílias dos Sousas, Abreus, Magalhães e Vasconcelos, Custódia era a mais nova dos oito filhos de Manuel e Catarina.
Infância e Juventude
Com a idade de quatro a cinco anos, saia às escondidas de casa e ia rezar para a Igreja. Sua mãe encontrou-a várias vezes na Igreja, de joelhos, rezando diante do altar, sendo evidentes no seu rosto infantil sinais de profunda contemplação. Gratos seriam a Deus os colóquios daquele coração angelical.
Todos os anos em Quinta-feira Santa passava toda a noite em oração diante do Santíssimo Sacramento.
Não se limitava a rezar. Ia conhecendo na oração qual era a Vontade de Deus e o seu coração compassivo não lhe permitia ver necessidades alheias sem fazer alguma coisa para as remediar. Assim, desde menina, a todos os pobres que batiam à porta de sua casa não só lhes dava de comer, como lhes procurava arranjas roupa e sapatos e com o coração em festa os dava aos pobres reconhecendo neles a presença de Jesus.
Conciliava sábia e ordenadamente a oração e o trabalho. Vestia-se de forma muito simples e ocupava-se, sem necessidade pois em casa de seu pai havia empregados, dos trabalhos mais humildes e discretos: varria, lavava, carregava água, amassava e enquanto a massa levedava ia à Igreja ouvir missa e fazer a Via-Sacra e ainda chegava a casa a tempo de se ocupar das mais variadas tarefas domésticas.
Tinha como director espiritual, um santo e douto varão, o Padre Manuel de Santiago.
Segundo a tradição tinha a jovem Custódia um rosto bonito e trigueiro, olhos claros como diamantes e afirma-se também que nunca perdeu a graça baptismal.
Aos 27 anos comunicou aos pais a sua decisão de se consagrar a Deus no Mosteiro da Conceição de Braga. A ninguém surpreendeu esta decisão, só os retraia o facto de Custódia «não sabia ler e que era muito simples», segundo expressão da sua 1ª biógrafa a Madre Maria Benta do Céu.
Tendo os pais dado o seu consentimento, Custódia apressou-se a dar a notícia ao seu irmão o Padre João de Couto e aos tios.
Puseram-se de acordo com o director espiritual da jovem, o Padre Manuel de Santiago, e a abadessa do Mosteiro da Conceição e, depois de tudo resolvido, entrou cheia de alegria e satisfação no claustro Concepcionista de Braga.
Todos os anos em Quinta-feira Santa passava toda a noite em oração diante do Santíssimo Sacramento.
Não se limitava a rezar. Ia conhecendo na oração qual era a Vontade de Deus e o seu coração compassivo não lhe permitia ver necessidades alheias sem fazer alguma coisa para as remediar. Assim, desde menina, a todos os pobres que batiam à porta de sua casa não só lhes dava de comer, como lhes procurava arranjas roupa e sapatos e com o coração em festa os dava aos pobres reconhecendo neles a presença de Jesus.
Conciliava sábia e ordenadamente a oração e o trabalho. Vestia-se de forma muito simples e ocupava-se, sem necessidade pois em casa de seu pai havia empregados, dos trabalhos mais humildes e discretos: varria, lavava, carregava água, amassava e enquanto a massa levedava ia à Igreja ouvir missa e fazer a Via-Sacra e ainda chegava a casa a tempo de se ocupar das mais variadas tarefas domésticas.
Tinha como director espiritual, um santo e douto varão, o Padre Manuel de Santiago.
Segundo a tradição tinha a jovem Custódia um rosto bonito e trigueiro, olhos claros como diamantes e afirma-se também que nunca perdeu a graça baptismal.
Aos 27 anos comunicou aos pais a sua decisão de se consagrar a Deus no Mosteiro da Conceição de Braga. A ninguém surpreendeu esta decisão, só os retraia o facto de Custódia «não sabia ler e que era muito simples», segundo expressão da sua 1ª biógrafa a Madre Maria Benta do Céu.
Tendo os pais dado o seu consentimento, Custódia apressou-se a dar a notícia ao seu irmão o Padre João de Couto e aos tios.
Puseram-se de acordo com o director espiritual da jovem, o Padre Manuel de Santiago, e a abadessa do Mosteiro da Conceição e, depois de tudo resolvido, entrou cheia de alegria e satisfação no claustro Concepcionista de Braga.
Noviciado e profissão monástica
Vestiu o hábito branco e azul, das monjas da Ordem da Imaculada Conceição fundada por Santa Beatriz da Silva, no dia 2 de Outubro de 1733, festa do anjo custódio e mudou o nome para soror Custódia Maria do Sacramento.
Apesar de não saber ler e da sua simplicidade, como diz a sua 1ª biógrafa, «ao fim de seis meses sabia ler latim tão correctamente e lia com desenvoltura as leituras no coro. Igualmente, sem saber música, juntava-se às cantoras e com elas cantava».
Professou no ano seguinte «com grande alegria sua e da comunidade».
No seu desejo de ser santa, fixava-se nas monjas mais observantes e esforçava-se por imitá-las, «pondo muito cuidado em que a sua virtude fosse mais interior que exterior».
A sua biógrafa madre Maria refere que foi sempre «muito sensata, humilde e modesta; de admirável simplicidade e de paz interior. Mas nem por isso era encolhida nem parada, mas tinha um ânimo muito vivaz e bem disposto».
Amava o silêncio interior e procurava estar continuamente em comunhão com Deus, esforçando-se por não perder a sua divina presença mesmo durante as tarefas quotidianas mais simples. Com frequência praticava os Exercícios de Santo Inácio. Dedicava-se à oração ainda com mais intensidade que antes de entrar para o Mosteiro. Dizia que tinha vindo para o claustro para se recolher e não para dissipada e distraída. Como São Bernardo queria fazer da sua cela o Céu, falando continuamente com Deus e com as pessoas só o necessário.
Amante da sã penitência como meio de purificar-se das sua faltas e de alcançar das alheias, usava prudentemente cilícios e disciplinas e outros meios, valorizando o que ensina São Paulo sobre o Homem Carnal e o Homem Espiritual.
Por amor à Virgem Imaculada jejuava com grande alegria todas as 6ª feiras e sábados, como manda a Regra que professava. Não perdia tempo, uma vez cumpridas as suas obrigações, o tempo que lhe sobrava empregava-o ao serviço das irmãs da sua comunidade, remendando os hábitos e outras peças de roupa ou trabalhando para os pobres. A sua paciência - diz a madre Maria - «foi heróica».
De toda esta rede de ocupações ordinárias se servia para elevar o espírito para Deus.
Apesar de não saber ler e da sua simplicidade, como diz a sua 1ª biógrafa, «ao fim de seis meses sabia ler latim tão correctamente e lia com desenvoltura as leituras no coro. Igualmente, sem saber música, juntava-se às cantoras e com elas cantava».
Professou no ano seguinte «com grande alegria sua e da comunidade».
No seu desejo de ser santa, fixava-se nas monjas mais observantes e esforçava-se por imitá-las, «pondo muito cuidado em que a sua virtude fosse mais interior que exterior».
A sua biógrafa madre Maria refere que foi sempre «muito sensata, humilde e modesta; de admirável simplicidade e de paz interior. Mas nem por isso era encolhida nem parada, mas tinha um ânimo muito vivaz e bem disposto».
Amava o silêncio interior e procurava estar continuamente em comunhão com Deus, esforçando-se por não perder a sua divina presença mesmo durante as tarefas quotidianas mais simples. Com frequência praticava os Exercícios de Santo Inácio. Dedicava-se à oração ainda com mais intensidade que antes de entrar para o Mosteiro. Dizia que tinha vindo para o claustro para se recolher e não para dissipada e distraída. Como São Bernardo queria fazer da sua cela o Céu, falando continuamente com Deus e com as pessoas só o necessário.
Amante da sã penitência como meio de purificar-se das sua faltas e de alcançar das alheias, usava prudentemente cilícios e disciplinas e outros meios, valorizando o que ensina São Paulo sobre o Homem Carnal e o Homem Espiritual.
Por amor à Virgem Imaculada jejuava com grande alegria todas as 6ª feiras e sábados, como manda a Regra que professava. Não perdia tempo, uma vez cumpridas as suas obrigações, o tempo que lhe sobrava empregava-o ao serviço das irmãs da sua comunidade, remendando os hábitos e outras peças de roupa ou trabalhando para os pobres. A sua paciência - diz a madre Maria - «foi heróica».
De toda esta rede de ocupações ordinárias se servia para elevar o espírito para Deus.
Enfermidade e morte
Sor Custódia Maria gozou de boa saúde nos seus primeiros anos de vida religiosa. Ao fim de cinco anos de permanência no Mosteiro, apareceram sintomas de grave doença pulmonar: sobreveio-lhe uma forte hemorragia oral. Aplicaram-lhe o remédio da sangria e outros que aconselhava a medicina daquele tempo, a doença abrandou e Sor Custódia pôde retomar o ritmo normal da sua comunidade.
Em 12 de Abril de 1739 recebeu a notícia da morte de sua mãe Catarina de Couto, que junta à da morte do seu pai, ano e meio antes, foi mais um sofrimento que se somou à cruz da doença.
As forças corporais da serva de Deus foram-se debilitando e a febre desgastava-a. Apesar do seu débil estado de saúde, seguia o horário da comunidade e levantava-se à mesma hora que as restantes monjas, ia para o coro, assistia à Missa e comungava, contudo não lhe era permitido levantar-se à meia-noite para rezar a Hora de Matinas. A doença ia-se agravando e ela purificando-se cada vez mais na cruz dos seus sofrimentos físicos.
A doente tinha consciência da gravidade da sua doença. No dia 20 de Junho de 1739 foi à Missa e comungou como de costume. À tarde, foi à horta e atirou para o poço os instrumentos de penitência que tinha usado. Não quis deixar indício algum dos seus actos penitenciais.
Na mesma tarde, entrou sozinha no refeitório, e uma irmã teve a curiosidade de a observar por uma fisga da porta, e viu que estava de joelhos diante de um Crucifixo que ali existia e nesta posição permaneceu por um bom espaço de tempo em íntimos colóquios com o Redentor.
Nesta mesma tarde, era sábado, havia na Igreja monástica Exposição Solene do Santíssimo Sacramento. Como pode, foi para o coro e esteve num canto do mesmo, em adoração, cerca de três horas.
No dia seguinte, Domingo, fez esforço para assistir à Missa e comungar. Segunda-feira pretendeu fazer o mesmo, mas a abadessa não lho permitiu e levaram-lhe à cela a Sagrada Comunhão que lhe serviu de Viático. Ela mesma pediu que lhe administrassem a Unção dos Enfermos. Pediu que lhe dessem um crucifixo, «para se despedir do seu Senhor». E abraçando-o com amor, entregou a sua alma placidamente ao Senhor no dia 22 de Junho de 1739, às sete e meia da manhã, com 33 anos de idade e seis de vida religiosa.
O toque dos sinos do Mosteiro da Conceição de Braga anunciou à povoação que a alma de sor Custódia Maria tinha voado ao encontro do Pai.
A ela se pode aplicar a sentença bíblica que diz, consumada a sua vida em curto espaço de tempo, deu frutos como se tivesse vivido muitos anos.
Em 12 de Abril de 1739 recebeu a notícia da morte de sua mãe Catarina de Couto, que junta à da morte do seu pai, ano e meio antes, foi mais um sofrimento que se somou à cruz da doença.
As forças corporais da serva de Deus foram-se debilitando e a febre desgastava-a. Apesar do seu débil estado de saúde, seguia o horário da comunidade e levantava-se à mesma hora que as restantes monjas, ia para o coro, assistia à Missa e comungava, contudo não lhe era permitido levantar-se à meia-noite para rezar a Hora de Matinas. A doença ia-se agravando e ela purificando-se cada vez mais na cruz dos seus sofrimentos físicos.
A doente tinha consciência da gravidade da sua doença. No dia 20 de Junho de 1739 foi à Missa e comungou como de costume. À tarde, foi à horta e atirou para o poço os instrumentos de penitência que tinha usado. Não quis deixar indício algum dos seus actos penitenciais.
Na mesma tarde, entrou sozinha no refeitório, e uma irmã teve a curiosidade de a observar por uma fisga da porta, e viu que estava de joelhos diante de um Crucifixo que ali existia e nesta posição permaneceu por um bom espaço de tempo em íntimos colóquios com o Redentor.
Nesta mesma tarde, era sábado, havia na Igreja monástica Exposição Solene do Santíssimo Sacramento. Como pode, foi para o coro e esteve num canto do mesmo, em adoração, cerca de três horas.
No dia seguinte, Domingo, fez esforço para assistir à Missa e comungar. Segunda-feira pretendeu fazer o mesmo, mas a abadessa não lho permitiu e levaram-lhe à cela a Sagrada Comunhão que lhe serviu de Viático. Ela mesma pediu que lhe administrassem a Unção dos Enfermos. Pediu que lhe dessem um crucifixo, «para se despedir do seu Senhor». E abraçando-o com amor, entregou a sua alma placidamente ao Senhor no dia 22 de Junho de 1739, às sete e meia da manhã, com 33 anos de idade e seis de vida religiosa.
O toque dos sinos do Mosteiro da Conceição de Braga anunciou à povoação que a alma de sor Custódia Maria tinha voado ao encontro do Pai.
A ela se pode aplicar a sentença bíblica que diz, consumada a sua vida em curto espaço de tempo, deu frutos como se tivesse vivido muitos anos.
Fama de santidade
A notícia da morte voou rapidamente por toda a cidade. Por ser no dia seguinte a festa de São João Baptista, o cadáver retirou-se do coro, onde estava exposto e levaram-no para o ante-coro.
As pessoas acorreram ao Mosteiro em tão grande número, pedindo alguma recordação da serva de Deus, que foi preciso colocar algumas monjas na grade do locutório e na portaria, que se encarregaram de repartir pelos devotos pedacinhos do hábito e véu e objectos piedosos, que tinha usado. E nem assim foi possível contentar a todos.
À vista de tal afluência de fiéis, mandou o senhor Provisor que fosse enterrada no dia 24. Por conselho dos médicos, do Padre Matias e dos confessores da comunidade foi o corpo colocado numa caixa e sepultado na sala capitular.
Dá testemunho dos factos o médico Dr. Manuel Campelo de Miranda, assim como o Dr. Pedro Bossion, francês, que viu o corpo antes de ser sepultado e confirma o que diz o Dr. Miranda.
A fama de santidade de sor Custódia Maria do Sacramento estendeu-se com rapidez por toda a região. Muitos devotos acudiam a rezar junto do sepulcro.
A devoção e fama de santidade ia crescendo entre os fiéis e falava-se muito de graças e favores alcançados por intercessão da serva de Deus. A madre Maria Benta recorda até ao ano de 1764 cinquenta casos prodigiosos, dos quais, diz, dezanove estão autenticados.
Em vista das proporções que ia tomado a fama de santidade de sor Custódia Maria do Sacramento e dos favores que se dizia conseguidos por sua intercessão as monjas da Conceição de Braga trataram de dar início ao Processo de Beatificação.
(Cf. ENRIQUE GUTIERREZ, ofm, “Brillaran como estrellas…”, Ediciones Aldecoa, S.A., Burgos, 1981, pgs. 125 a 133)
As pessoas acorreram ao Mosteiro em tão grande número, pedindo alguma recordação da serva de Deus, que foi preciso colocar algumas monjas na grade do locutório e na portaria, que se encarregaram de repartir pelos devotos pedacinhos do hábito e véu e objectos piedosos, que tinha usado. E nem assim foi possível contentar a todos.
À vista de tal afluência de fiéis, mandou o senhor Provisor que fosse enterrada no dia 24. Por conselho dos médicos, do Padre Matias e dos confessores da comunidade foi o corpo colocado numa caixa e sepultado na sala capitular.
Dá testemunho dos factos o médico Dr. Manuel Campelo de Miranda, assim como o Dr. Pedro Bossion, francês, que viu o corpo antes de ser sepultado e confirma o que diz o Dr. Miranda.
A fama de santidade de sor Custódia Maria do Sacramento estendeu-se com rapidez por toda a região. Muitos devotos acudiam a rezar junto do sepulcro.
A devoção e fama de santidade ia crescendo entre os fiéis e falava-se muito de graças e favores alcançados por intercessão da serva de Deus. A madre Maria Benta recorda até ao ano de 1764 cinquenta casos prodigiosos, dos quais, diz, dezanove estão autenticados.
Em vista das proporções que ia tomado a fama de santidade de sor Custódia Maria do Sacramento e dos favores que se dizia conseguidos por sua intercessão as monjas da Conceição de Braga trataram de dar início ao Processo de Beatificação.
(Cf. ENRIQUE GUTIERREZ, ofm, “Brillaran como estrellas…”, Ediciones Aldecoa, S.A., Burgos, 1981, pgs. 125 a 133)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
