quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Beato Amadeu da Silva
reformador franciscano
e fundador da Congregação dos Amadeítas
irmão de Santa Beatriz da Silva
Memória Litúrgica: 10 de Agosto
João da Silva e Meneses, conhecido por Beato Amadeu da Silva (Beato Amadeu Hispano ou Beato Amadeu Lusitano), era filho de D. Rui Gomes da Silva, Alcaide-Mor da vila alentejana de Campo Maior e Ouguela e de Dona Isabel de Menezes, que era filha de D. Pedro de Menezes que foi Governador da Praça de Ceuta, nessa altura pertencente à coroa dos reis de Portugal. Os pais de João pertenciam à primeira nobreza do reino e estavam aparentados com a família real.
Foi o quinto de doze irmãos: Pedro, Fernando, Diogo, Afonso, Branca, Guiomar, Santa Beatriz (fundadora da Ordem da Imaculada Conceição ou Monjas Concepcionistas), Maria, Leonor, Catarina e Mécia.
Nasceu por volta de 1429, provavelmente em Campo Maior, onde os pais moravam nesta data.
Casou aos dezoito anos com uma donzela, com quem não chegou a coabitar. Pelos vinte anos, participou da Batalha de Alfarrobeira, em Maio de 1449, onde foi ferido. Foi depois para o Mosteiro de Stª Maria de Guadalupe, na Estremadura castelhana, onde ficou alguns anos, entre os monges da Ordem de São Jerónimo, ocupando-se do ofício de cozinheiro e de outros ofícios domésticos humildes. Chegou a dirigir-se ao reino de Granada, com o desejo de sofrer o martírio por Cristo. Foi perseguido pelos mouros granadinos, tentando depois seguir para África com um mercador que preparava a sua viagem. Mas regressou a Guadalupe. Ali, segundo os seus biógrafos, teve a tríplice aparição da Virgem Maria, de São Francisco e de Stº António, fazendo-o despertar para um nova vocação religiosa: a de franciscano.
Nas biografias populares, generalizou-se a fantasia da sua paixão pela infanta dona Leonor, a bela irmã do rei dom Afonso V, futura mulher do sacro imperador dos romanos, Frederico III da Alemanha, em cujo séquito teria chegado a Itália, depois de partir de Lisboa, por mar, no dia 11 de Novembro de 1451. Mas, pelo contrário, João de Meneses saiu do Mosteiro de Stª Maria de Guadalupe, com carta do prior Gonçalo de Illescas, passada em 11 de Dezembro de 1452, dirigindo-se a Assis. De passagem pelo Convento de São Francisco de Oviedo, ali recebeu o hábito franciscano. Passou por Avinhão, Génova e Florença. Os seus milagres foram conhecidos por toda a Itália, onde tomou o nome de frei Amadeu Hispano, numa referência bastante lata à Hispânia, a região ibérica da sua origem. Em Perusa, frei Ângelo, o ministro-geral da Ordem, negou-lhe audiência.
Em Assis, não foi recebido pelos frades, que julgaram o seu aspecto demasiado andrajoso, acusando-o de ser embusteiro. Viveu, então, aninhado a um canto dos muros do convento, dedicando-se à oração e à penitência. Sofreu perseguições por três anos, até à visita de frei Tiago Bussolini de Mozanica, novo ministro-geral, que o recebeu em profissão. A sua piedade e devoção configuraram a imagem de um santo vivo, que, apesar do desprezo dos seus, rapidamente granjeou muitos devotos, atraídos pelos seus inúmeros milagres. A sua fama chegou a uma sobrinha do papa Nicolau V, que foi uma dos miraculados. As peregrinações aos muros do Convento irritaram ainda mais os frades, que conspiraram para se livrarem de tal empecilho. Sofreu, então, muitas humilhações e dificuldades. Enviaram-no depois a Roma, ao papa Calisto III, sob influência de alguns frades que viviam na corte, de modo a obriga-lo a regressar à Península Ibérica.
Descobrindo que iria cair numa cilada, frei Amadeu Hispano pediu a protecção do ministro provincial, então em Perusa, alcançando letras comendatícias para o ministro-geral. Em Bréscia, este deu-lhe letras obediênciais para ir para o Convento de São Francisco da Porta Varcellina de Milão, situado na actual Praça de Santo Ambrósio. Acompanhou-o frei Jorge de Valcamonica, que se tornou seu confidente e que, posteriormente, testemunhou a sua santidade. Neste convento, os seus milagres e prodígios foram abundantes e, entre os numerosos devotos, contaram-se Francisco Sforza e sua mulher Branca Maria, duques de Milão. A duquesa confiou nas suas preces para várias necessidades, incluindo a concepção de um filho. Frei Amadeu mudou depois para um outro convento de Milão, buscando maior quietude, com a licença do Capitulo Geral, presidido pelo ministro-geral frei Tiago Bussolini de Mozanica, já no Pentecostes de 1457. Também o Convento de São Francisco de Mariano de Como não lhe deu a almejada paz, por causa da concorrência dos devotos.
Foi no Convento de São Francisco de Oreno que, desistindo da sua vocação eremítica, começou a dirigir-se às multidões e chegou a aceitar a ordenação sacerdotal. A sua primeira missa foi celebrada na festa da Anunciação, 25 de Março de 1459. Começou, assim, uma intensa actividade apostólica, recorrendo ao papa, escrevendo a príncipes, servindo de intermediário entre grandes magnatas. Recordou, quando necessário, o dever que a uns e a outros competia. Escreveu várias cartas, que hoje se conservam.
A 15 de Maio de 1452, teve uma audiência com o duque de Milão, ao que parece para pedir apoio para fundar um convento. Consta que a duquesa de Milão alcançara uma bula do papa Pio II para fundar um convento franciscano em Castiglione, na diocese de Cremona. Passaria a chamar-se Stª Maria de Castigliori (que mudou depois o titulo para Santa Maria de Guadalupe, por insistência de frei Amadeu, que era muito devoto de Nossa Senhora de Guadalupe). A duquesa conseguiu a doação deste convento a frei Amadeu, no ano seguinte. Este fez dele o centro da sua actividade de reforma da Ordem de São Francisco. Fundou mais conventos: São Bernardino de Erbusto e São Francisco de Iseo, na província de Bréscia, em 1465; Stª Maria da Paz de Milão, em 1466, também conhecido por Convento de São Tiago e São Filipe Apóstolos. Ao lançamento da primeira pedra esteve presente o arcebispo Galeazo Maria Sforza de Milão; o ministro-provincial dos franciscanos e outras pessoas importantes. Em 1467, fundou o Convento de Stª Maria da Fonte de Caravaggio. Em seguida, fundou o Convento de Santa Maria das Graças de Quinzano, com bula de 3 de Novembro de 1468. Depois, fundou o Convento de Stª Maria das Graças de Antignate, na província de Bérgamo, diocese de Cremona, em 1468. Por diligência do cardeal Francisco delle Rovere, futuro papa Sisto IV, obteve do papa Paulo II, a 22 de Abril de 1469, a graça de poder fundar na Lombardia três conventos com a invocação de Santa Maria, além do de Stª Maria das Graças de Quinzano. Assim, passou para a sua Custodia o Convento de Stª Maria Anunciada de Borno, província e diocese de Bréscia, pertencente aos terceiros franciscanos, o qual o papa Paulo II mandou entregar-lhe por bula de 1 de Agosto de 1469; e o de Stª Maria das Graças de São Secondo, na província e diocese de Parma.
Eleito papa com o nome de Sisto IV, o cardeal que o conhecera e que fora também ministro geral da Ordem de São Francisco, concedeu-lhe, a 24 de Março de 1472, entre outros privilégios, a faculdade de ele e os sucessores receberem na sua congregação frades conventuais ou quaisquer outros sob a jurisdição do ministro-geral, que desejassem segui-lo; e aceitar mais seis conventos, além dos que já possuía. O primeiro seria, ao que parece, o de Stª Maria da Paz de Castiglione, província de Alessandria e diocese de Cortona. Seguiram-se os de Lodi, chamado também de Stª Maria das Graças, na província de Milão; e o de Stª Maria das Graças de Cremona. A 18 de Junho de 1472, o papa concedeu-lhe o Mosteiro de São Pedro in Montório, onde, segundo a tradição, São Pedro fora martirizado. Os monges de São Clemente de Urbe, da Ordem de Santo Ambrósio, sob o pretexto de que o lugar estava sob a sua jurisdição, moveram-lhe uma causa. O pontífice defendeu frei Amadeu, confirmando a doação, a 8 de Março de 1481. A 20 de Junho de 1478, o papa Sisto IV concedeu a Raimundo Orsini e a sua mulher, senhores de grandes domínios na diocese de Sabina, faculdade para fundar nos seus territórios um convento para frei Amadeu e seus discípulos, em atenção aos moradores de Scandriglia, Monte Librete e Nerula e castelos de Ponticelli e Montório. O convento foi erguido nos arredores de Ponticelli, dedicado a Stª Maria das Graças e, em 1479, começou a vida comunitária. Passando por Piacenza, dirigindo-se a Lombardia, frei Amadeu recebeu também o Convento de São Bernardino, por doação do terceiro franciscano Tiago de Guarnis.
Na época em que viveu frei Amadeu, ainda não havia a separação entre franciscanos observantes e franciscanos conventuais. No entanto, estes últimos já viviam separadamente, obedecendo a vigários-gerais confirmados pelo ministro-geral da Ordem de São Francisco. Frei Amadeu dizia-se apenas da Ordem de São Francisco. Os papas referiam-no da Observância. A fundação da congregação de amadeitas dava-o como seu custódio, fora da sujeição ao vigário-geral. O papa Paulo II, ao conceder-lhe três conventos, concederia também que, após a sua morte, os seus discípulos pudessem eleger custódio. Isto é: frei Amadeu era, em vida, uma espécie de vigário provincial da Observância. Os frades observantes começaram então a mostrar desagrado para com os amadeitas, considerando desnecessária a cisão com a Observância. Colocariam em causa as virtudes de frei Amadeu, movendo-lhe grandes embargos, a começar pelo Convento de Stª Maria de Bressanoro, que tentaram arrebatar-lhe, fundamentando-se na bula de concessão, que referia a Observância. Frei Amadeu contou com a intervenção do cardeal de Bolonha, que conseguiu demover alguns cardeais defensores dos observantes. Atacaram de seguida o Convento de Stª Maria da Paz de Milão, que estava nas proximidades de um convento observante. Frei Amadeu teve de mover vários apoios políticos e religiosos, junto dos duques de Milão e na corte pontifícia, para impedir que lhe atrasassem ainda mais a construção do convento, que ainda decorria. A situação seria excessiva, ficando documentados os lamentos de frei Amadeu quanto às injúrias que recebia dos observantes. O papa Paulo II, em 1470, mandou suspender as obras, por causa da escandalosa discórdia entre os frades amadeitas e os frades observantes. A reacção dos amadeitas atingiu tal saturação que um deles chegou a gritar, do alto do púlpito, que o breve pontifício era falso. O problema, no fundo, seria que a congregação de conventos de frei Amadeu em tudo era semelhante à Observância, embora estando fora desta. Para resolver a questão, o próprio frei Amadeu conseguiria que o papa os declarasse sujeitos à obediência e jurisdição do ministro-geral e outros legítimos superiores da Ordem de São Francisco, segundo a Regra, em 23 de Maio de 1470.
Por esta época, fundou também a Confraria de Nª Srª da Paz, de São Sebastião, de São Roque e São Bernardino, destinada a clérigos e leigos nobres.
O papa Sisto IV, que cumulou frei Amadeu de privilégios, motivado pela admiração que lhe tinha, nomeadamente quanto à congregação dos seus conventos, nomeou-o seu confessor e secretário particular. Para o ter mais perto de si, doou-lhe o já referido Convento de São Pedro in Montório, junto do palácio apostólico, a 18 de Junho de 1472. Segundo frei Mariano de Florença, biógrafo de frei Amadeu, seria numa caverna deste convento que recebia revelações do arcanjo São Gabriel. Ali terá ditado o seu livro Apocalypsis Nova..., que entregaria, à hora da morte aos seus frades, devendo ficar à guarda do custódio. A obra teve uma grande divulgação anos depois. Vários problemas causados pelos observantes em relação a alguns dos seus conventos levaram a uma batalha final, envolvendo os duques de Milão e, por fim, o próprio papa, que protegeu os amadeitas.
Finalmente, frei Amadeu desejou fazer uma visita a todos os seus frades e, ao passar pelo Convento de Stª Maria da Paz de Milão, ali morreu, a 10 de Agosto de 1482. O rei Luís XI de França, a quem chegara a fama do Beato Amadeu, contribuiu para as despesas do funeral e para um sepulcro de mármore rodeado por grades.
Sucederam-se quatro séculos de culto ininterrupto, em torno da sua imagem nimbada, sobre a sepultura. Esta estava numa capela própria, onde eram colocadas muitas lamparinas e velas, celebrando-se ali todos os anos a festa do Beato, a 10 de Agosto. A sepultura já não existe, pois foi destruída durante as Invasões Francesas, embora se saiba onde estava situada. A sua canonização chegou a ser tentada, segundo alguma documentação do final do século XVI. (cfr. DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1989,ob. cit., pág. 241) A congregação dos amadeitas prosseguiu na Lombardia, no resto de Itália e em Espanha. Porém, a pressão dos ministros e dos Capítulos Gerais dos franciscanos, apoiados pelos problemas de alguns dos conventos, concorreram para que São Carlos Borromeu, cardeal protector dos amadeitas, impusesse o fim. Os trinta e nove conventos então existentes foram integrados na Ordem de São Francisco da Observância em 1568, por bula do papa Pio V.
(Veja-se DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1989, ob. cit. Vejam-se também: SEVESI, Paolo M., 1911, «B. Amadeo Menez de Sylva dei Fratri Minori. Fondatore degli Amadeiti (Vita Inedita di Fra Mariano da Firenze e Documenti Inediti», estratto da Luce e Amore, ano VIII, fasc. Nº 10, 11 e 12, Florença, Tipografia Domenicana; GALLI, Benedetto, 1923, Il B. Amedeo Menez di Silva. Frate Minore del SecoIo XV. Biografia PopoIare, Milão, Quaracchi - Tip. del Colegio S. Bonaventura; DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 1985, ob. cit.; e DOMINGUES DE SOUSA COSTA, 196?, ob. cit.) cf. Dr. José Félix da Silva

sábado, 9 de agosto de 2008

"Tende confiança. Sou Eu. Não Temais".
Evangelho de São Mateus

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Festa da
TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR
(6 de Agosto)

Transfiguraste-Te no monte,
Ó Cristo Deus,
mostrando aos teus discípulos
a Tua glória,
naquilo que a eles
era possível compreender.
Faz resplandecer
também sobre nós pecadores
a Tua Luz eterna,
pela oração da Mãe de Deus;
Ó dador de Luz, glória a Ti!
Sob o monte transfiguraste-Te
e os Teus discípulos,
na medida em que o podiam,
viram a Tua glória, Ó Cristo nosso Deus;
afim que quando te vissem crucificado,
compreendessem que a Tua paixão era voluntária
e anunciassem ao mundo
que Tu És verdadeiramente o Esplendor do Pai.
Na luz da glória do Teu Rosto, Ó Senhor,
caminharemos “in eterno”.

(Liturgia ortodoxa, Tropario e Kontakion)

terça-feira, 22 de julho de 2008

MONJAS CONCEPCIONISTAS EM FORMAÇÃO
As monjas de vida contemplativa a fim de realizarem, cada vez melhor, a sua missão na Igreja, recorrem a diversos meios, entre eles encontramos a formação nas suas várias dimensões: humana, cristã, consagrada, contemplativa e Concepcionista.
A formação permanente capacita as Monjas para seguir a Jesus Cristo com uma maior radicalidade e entrega e viver, a partir da contemplação, o Evangelho e o mistério da Imaculada Conceição, segundo o estilo de vida de Santa Beatriz da Silva (CC.GG art. 125).

Para conseguir obter estes objectivos, a Confederação de Santa Beatriz da Silva, em Espanha, promoveu nos passados dias
4 a 10 do presente mês de Julho, mais um encontro formativo em Madrid, na Casa de Exercícios das Missionárias Cruzadas da Igreja, orientado por duas leigas doutoradas em Teologia, respectivamente: Marifé Ramos e Rosário Ramos. Contou com a participação de cerca de 36 Monjas com idades compreendidas entre os 30 e os 45 anos. Os temas abordados foram diversos: a contemplação, a vida comunitária, o sentido do sofrimento e os três conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência.
A contemplação é uma resposta a Deus que nos contempla e nos ama. É fruto de uma busca mútua, de duas sedes: a de Deus e a nossa, que se fundem num encontro a que chamamos oração. É um processo de enamoramento crescente de Deus. Faz-nos sair de nós e abre-nos ao transcendente. Deixamos de ser senhoras da nossa vida e Deus passa a ser o Senhor da nossa existência. Contemplar é uma aventura, que não evade da realidade, mas, pelo contrário nos faz mergulhar e permanecer no coração do mundo.
Nós somos chamadas a viver a vida contemplativa em comunhão fraterna. Esta é uma dimensão importante da nossa vocação Concepcionista, pois é atravessada e fundamentada por ela.
Não há vida comunitária sem conversão. Sem adquirir atitudes e valores evangélicos como a paciência, a espera, criar capacidade de acolhimento e oferecimento para todas, dentro de nós mesmas, possibilitar espaços de encontro e comunhão, fraternidade, não é possível a verdadeira vida comunitária. Trata-se de ir caminhando para uma atitude de despojamento, como Cristo, irmão de todos e companheiro de caminho; crescer em atitudes de inclusão, serviço, escuta, respeito e valorização do diferente, diálogo, confiança, aceitação, empatia, interesse e correcção fraterna.

O sofrimento é um mistério que sacode cada ser humano, que põe à prova as nossas relações fraternas e nos desperta interrogações sobre Deus. A dor faz-nos experimentar a nossa fragilidade e converte-se em lugar teológico onde experimentamos Deus.
“Deus amou tanto o mundo, que lhe deu o Seu Filho unigénito”. Deus entrega aquilo que nós não entregaríamos nunca. Na Cruz manifesta-se este mistério de amor. Um mistério que atrai, seduz, torna feliz e impele a servir os outros.
A obediência de Jesus é o princípio normativo do discipulado. Para Jesus, a liberdade pessoal consistia em fazer a vontade de Deus. O voto de obediência tem nesta experiência filial o seu fundamento. É preciso descobrir a voz de Deus no nosso interior, na nossa consciência essencial e actuar em conformidade com ela. Precisamos de aprender a escutar, a conhecer e a discernir, os movimentos de Deus no nosso interior e a ser dóceis ao Seu projecto de amor.

A castidade consagrada é uma forma de viver o amor gratuito. A afectividade é constituída por um duplo movimento, ser amada e amar. É a abertura de coração a todas as pessoas. É esvaziar-se de si, deixar de viver de forma egocêntrica e passar de um amor sensível e obrigatório a um amor gratuito permanente.
Analisámos também, os diferentes tipos de relação e a evolução da afectividade nas suas diversas etapas.
O voto de pobreza foi estudado desde a perspectiva da aceitação das próprias pobrezas pessoais e comunitárias. Foi um convite a descer ao “húmus” da nossa realidade pessoal e à reconciliação, para que brote a vida. Para viver a pobreza, torna-se necessário fazer um caminho de descida para viver desde as entranhas com os mais pobres da terra. Jesus convida-nos a valorizar o pequeno, a purificar os nossos olhos, a acariciarmos as pobrezas, pois através delas captamos e sentimos, com mais realismo, o amor de Deus.

Estes dias de encontro formativo e de convívio fraterno foram vividos num clima de muita alegria e de interesse por assimilar e personalizar os conhecimentos e experiências partilhadas. A liturgia foi um eco desta verdade, em que irmãs de diversas culturas expressaram a sua forma própria de encontrar-se com Deus e com os irmãos.

No próximo ano, de 30 de Junho a 6 de Julho, voltaremos a encontrar-nos, para encetar uma nova etapa no nosso percurso formativo-concepcionista, com desejo de podermos viver, com renovado entusiasmo, o ideal de Santa Beatriz: imitar a Imaculada, Virgem e Mãe de Deus.
Sor Magda Maria da Cruz, oic
monja do Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior

sábado, 19 de julho de 2008

Vigília da JMJ 2008
de Sidney

Mais de 235 mil jovens estão em festa no Hipódromo de Randwick, depois de terem celebrado com Bento XVI a vigília de oração das Jornadas Mundiais da Juventude 2008, em Sidney. O Papa convidou os presentes a manterem-se unidos, na Igreja, perante um mundo cada vez mais fragmentado.
Numa celebração que se iniciou aos sons do rock, hip-hop e do Reggae, uma breve encenação marcou a chegada da Cruz das JMJ e do ícone mariano que a acompanha, em todo o mundo. O entusiasmo tomou conta da multidão quando se anunciou a chegada do Papa, num mar de luz - em especial a das velas-, de música e de entusiasmo.
Na sua saudação, o Papa assegurou que “Deus não desiludirá a vossa esperança” e confessou a sua satisfação por estar entre jovens de todo o mundo.
Vários foram os jovens que falaram diante de Bento XVI, da Tailândia ao Chile, dando testemunho dos “dons do Espírito Santo”: sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade, temor de Deus.

Final da Saudação do Santo Padre aos jovens
antes da Adoração ao Santíssimo Sacramento
Nesta noite, reunidos aqui sob a beleza deste céu nocturno, os nossos corações e as nossas mentes estão repletas de gratidão a Deus pelo grande dom da nossa fé na Trindade. Recordamos os nossos pais e avós que caminharam ao nosso lado quando – éramos nós crianças – sustentaram os primeiros passos do nosso caminho de fé. Agora, passados muitos anos, eis-vos aqui reunidos como jovens adultos ao redor do Sucessor de Pedro. Inunda-me uma profunda alegria por estar convosco. Invoquemos o Espírito Santo: é Ele o artífice das obras de Deus (cf. Catecismo da Igreja Católica, 741). Deixai que os seus dons vos plasmem. Assim como a Igreja realiza a sua viagem juntamente com a humanidade inteira, assim também vós sois chamados a exercitar os dons do Espírito nos altos e baixos da vida diária. Fazei com que a vossa fé amadureça através dos vossos estudos, trabalho, desporto, música, arte. Procurai que seja sustentada por meio da oração e alimentada através dos sacramentos, para deste modo se tornar fonte de inspiração e de ajuda para quantos vivem ao vosso redor. No fim de contas, a vida não é simplesmente acumular, e é muito mais do que ter sucesso. Estar verdadeiramente vivos é ser transformados a partir de dentro, permanecer abertos à força do amor de Deus. Acolhendo a força do Espírito Santo, podereis também vós transformar as vossas famílias, as comunidades, as nações. Libertai estes dons. Fazei com que a sabedoria, o entendimento, a fortaleza, a ciência e a piedade sejam os sinais da vossa grandeza.
E agora, enquanto nos preparamos para a adoração do Santíssimo Sacramento, em espera silenciosa repito-vos as palavras pronunciadas pela Beata Mary MacKillop quando tinha precisamente vinte e seis anos: «Acredita naquilo que Deus sussurra ao teu coração!» Acreditai n’Ele! Acreditai na força do Espírito do amor!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Encontro Formativo
de noviças e junioras

das monjas Concepcionistas
da Federação Bética

Avé-Maria Puríssima
Partimos, as três junioras do Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior, no dia 8 de Junho rumo a Mairena-Sevilha, para nos juntarmos às restantes irmãs vindas dos vários mosteiros da nossa Ordem, pertencentes à nossa Federação.
À chegada tivemos a agradável visita de Sua Eminência o Sr. Cardeal D. Carlos Amigo, cardeal de Sevilha, que nos deu as Boas-vindas!
Durante a primeira semana tivemos
aulas de psicologia com a irmã Concha. Falámos das motivações vocacionais da vida consagrada, pudemos partilhar experiências, sentimentos e vivências no grupo de trabalho. Foi muito positivo e enriquecedor conhecer novas irmãs de outras culturas e continentes. No grupo havia monjas da Índia, da África e da América Latina , para além das Portuguesas e Espanholas.
A segunda semana começou “em grande” com o regresso às fontes e origens da OIC. O Padre Assistente, frei Joaquim Dominguez ofm, deu-nos uma visão da eclesialidade da nossa Ordem ao longo dos tempos, ou seja, como da intenção primeira da nossa fundadora se passou a Instituição, à Ordem, estabelecida, querida e aceite, como tal, pela Igreja. Vindo directa e propositadamente de Roma, o Secretário do Padre Geral da OFM, frei Francisco Arellano ofm, mostrou-nos o panorama dos primeiros tempos do cristianismo, onde era difícil definir a verdadeira identidade de Cristo. Viajámos no tempo e “encarnámos a pele” dos hereges dos primeiros séculos, que se debatiam com as verdades cristológicas ao longo dos Concílios convocados.
P
ara finalizar as matérias vimos um pouco da teologia da liturgia, com D. Luís Ruedas, cónego da Catedral de Sevilha. Foi muito interessante analisar a perspectiva Trinitária sempre presente em qualquer acto litúrgico.
Aproveitámos ao máximo este mês de formação que terá a sua continuidade no decorrer do ano.
Regressámos ao nosso Mosteiro, cheias de saudade da nossa comunidade, nos primeiros dias de Julho, dando graças a Deus por estas e outras oportunidades que a nossa Ordem e a nossa comunidade monástica nos dão de nos enriquecermos, de vivermos, de celebrarmos, de aprofundarmos “as coisas de Deus” e de irmos desedentando a nossa Sede de Deus, na Fonte da Água Viva.
Sor Inês da Ss. Trindade oic, sor Maria Imaculada oic e sor Inês da Cruz oic,
monjas junioras do Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Bento XVI
(da saudação aos participantes na
Jornada Mundial da Juventude de Sidney,
17.7.2008)

No dia do Baptismo, Deus introduziu-vos na sua santidade (cf. 2 Ped 1, 4). Adoptados como filhos e filhas do Pai, fostes incorporados em Cristo. Tornastes-vos morada do seu Espírito (cf. 1 Cor 6, 19). Por isso, na parte final do rito do Baptismo, o sacerdote, dirigindo-se aos vossos pais e demais participantes e chamando-vos pelo nome, disse: «És nova criatura» (Rito do Baptismo, 99).
Queridos amigos, em casa, na escola, na universidade, nos lugares de trabalho e de diversão, recordai-vos que sois criaturas novas. Como cristãos, encontrais-vos neste mundo sabendo que Deus tem um rosto humano: Jesus Cristo, o «caminho» que satisfaz todo o anseio humano e a «vida» da qual somos chamados a dar testemunho, caminhando sempre na sua luz (cf. ibid., 100). A tarefa de testemunha não é fácil. Hoje, há muitos que pretendem que Deus deva ficar de fora e que a religião e a fé, embora aceitáveis no plano individual, devam ser excluídas da vida pública ou então utilizadas somente para alcançar determinados objectivos pragmáticos. Esta perspectiva secularizada procura explicar a vida humana e plasmar a sociedade com pouco ou nenhum referimento ao Criador. Apresenta-se como uma força neutral, imparcial e respeitadora de todos e cada um. Na realidade, porém, como qualquer ideologia, o secularismo impõe um visão global. Se Deus é irrelevante na vida pública, então a sociedade poderá ser plasmada segundo uma imagem alheada de Deus. Mas quando Deus fica eclipsado, começa a esmorecer a nossa capacidade de reconhecer a ordem natural, o fim e o «bem». Aquilo que fora pomposamente exaltado como engenho humano, bem depressa se manifestou como loucura, avidez e exploração egoísta. E assim fomo-nos consciencializando cada vez mais da necessidade de humildade perante a delicada complexidade do mundo de Deus.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Jovem alentejana
entrou no Mosteiro Concepcionista
de Campo Maior

Olá! Chamo-me Helena Cachaço tenho 30 anos nasci no dia 27 de Novembro de 1977. Sou natural de Évora, mas vivi muitos anos (até há 15 dias) numa aldeia perto de Reguengos de Monsaraz chamada Caridade. Sou licenciada em 1º Ciclo do Ensino Básico porém onde trabalhei mais foi a leccionar Educação Moral e Religiosa Católica nas escolas da nossa arquidiocese. Na minha paróquia exerci as mais variadas funções: fui escuteira, acólita, membro do grupo de jovens, membro da Pastoral da Saúde, Ministra Extraordinária da Comunhão, animadora de celebrações e presidia à Celebração da Palavra na Ausência de Presbítero. A nível diocesano tive várias actividades mas a que tive durante mais tempo foi a de responsável do Movimento dos Convívios Fraternos.
Depois de uma experiência vocacional, há cerca de um ano, no Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior, da Ordem da Imaculada Conceição, dei o passo e entrei no postulantado deste querido Mosteiro Concepcionista da terra natal da minha fundadora - Santa Beatriz da Silva -, no passado dia 16 de Junho.
Para falar de vocação e mais especificamente da minha vocação não deixar de falar de amor; foi com este amor incondicional e puro que Deus me foi chamando ao longo da minha vida até eu lhe dar atenção, aliás até não conseguir mais dizer que não ouvia. E deixei-me seduzir! E tomei uma decisão de vir conhecer o que é que Ele na realidade quer de mim e nunca mais deixei de sentir paz, confiança e serenidade para acolher o que Ele tem para me dar. Rezo muito, medito muito, peço muito a Deus que se digne a querer fazer de mim a Sua morada.
Rezem por mim, para que seja fiel à Vontade de Deus, para que continuamente tenha a humildade e disponibilidade de me deixar seduzir por Ele, de me deixar despojar daquilo que não é de Deus e me deixe revestir com as “Vestes da Salvação”, ao jeito da minha Mãe Imaculada.
Possa eu dizer com São Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
Helena Cachaço, postulante OIC