Liturgia das Horas (1)sexta-feira, 13 de abril de 2012
Liturgia das Horas (1)segunda-feira, 12 de março de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
“Um mosteiro contemplativo constitui também um dom para a Igreja local a que pertence. Representando o seu rosto orante, torna mais plena e significativa a sua presença de Igreja. Uma comunidade monástica pode ser comparada com Moisés, que, na oração, decidiu a sorte das batalhas de Israel (cf. Ex 17, 11) e com a sentinela que vigia de noite à espera da aurora (cf. Is 21, 6). O mosteiro representa a própria intimidade de uma Igreja, o coração onde o Espírito geme e intercede continuamente pelas necessidades da comunidade inteira, e donde se eleva sem cessar a acção de graças pela Vida que Ele concede em cada dia (cf. Col 3, 17).” quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Celebração das Vésperas na Festa da Apresentação do SenhorNa festa hodierna contemplamos o Senhor Jesus que Maria e José apresentam no templo «para O oferecer ao Senhor» (Lc 2, 22). Nesta cena evangélica revela-se o mistério do Filho da Virgem, o consagrado do Pai, que veio ao mundo para cumprir fielmente a sua vontade (cf. Hb 10, 5-7). Simeão indica-o como «luz para iluminar as nações» (Lc 2, 32) e anuncia com palavra profética a sua oferta suprema a Deus e a sua vitória final (cf. Lc 2, 32-35). É o encontro dos dois Testamentos, Antigo e Novo. Jesus entra no antigo templo, Ele que é o novo Templo de Deus: vem visitar o seu povo, obedecendo à Lei e inaugurando os tempos últimos da salvação.
É interessante observar de perto este ingresso do Menino Jesus na solenidade do templo, num grande «vaivém» de muitas pessoas, ocupadas com os seus afazeres: os sacerdotes e os levitas com os seus turnos de serviço, os numerosos devotos e peregrinos, desejosos de se encontrar com o Deus santo de Israel. Porém, nenhum deles se dá conta de nada. Jesus é um menino como os outros, filho primogénito de dois pais muito simples. Até os sacerdotes são incapazes de captar os sinais da nova e especial presença do Messias e Salvador. Só dois anciãos, Simeão e Ana, descobrem a grande novidade.
Guiados pelo Espírito Santo, eles encontram nesse Menino o cumprimento da sua longa espera e vigilância. Ambos contemplam a luz de Deus, que vem iluminar o mundo, e o seu olhar profético abre-se ao futuro, como anúncio do Messias: «Lumen ad revelationem gentium!» (Lc 2, 32). Na atitude profética dos dois anciãos está toda a Antiga Aliança que exprime a alegria do encontro com o Redentor. Ao virem o Menino, Simeão e Ana intuem que Ele é precisamente o Esperado.
A Apresentação de Jesus no templo constitui um ícone eloquente da doação total da própria vida por quantos, homens e mulheres, são chamados a reproduzir na Igreja e no mundo, mediante os conselhos evangélicos, «os traços característicos de Jesus casto, pobre e obediente» (Vita consecrata, 1). Por isso, a Festa hodierna foi escolhida pelo Venerável João Paulo II para celebrar o anual Dia da Vida Consagrada. [...]
Em segundo lugar, o ícone evangélico manifesta a profecia, dom do Espírito Santo. Contemplando o Menino Jesus, Simeão e Ana vislumbram o seu destino de morte e ressurreição para a salvação de todos os povos e anunciam tal mistério como salvação universal. A vida consagrada é chamada a tal testemunho profético, ligado à sua dupla atitude contemplativa e activa. De facto, aos consagrados e consagradas é dado manifestar o primado de Deus, a paixão pelo Evangelho praticado como forma de vida e anunciado aos pobres e aos últimos da terra. «Em virtude desta primazia, nada pode ser preferido ao amor pessoal por Cristo e pelos pobres, nos quais Ele vive. A verdadeira profecia nasce de Deus, da amizade com Ele, da escuta diligente da sua Palavra nas diversas circunstâncias da história» (Ibid., 84). Deste modo a vida consagrada, na sua vivência diária pelos caminhos da humanidade, manifesta o Evangelho e o Reino já presente e concreto.
Em terceiro lugar, o ícone evangélico da Apresentação de Jesus no templo expressa a sabedoria de Simeão e Ana, a sabedoria de uma vida dedicada totalmente à busca do rosto de Deus, dos seus sinais, da sua vontade; uma vida dedicada à escuta e ao anúncio da sua Palavra. «“Faciem tuam, Domine, requiram”: busco a vossa face, ó Senhor (Sl 26, 8)... A vida consagrada é no mundo e na Igreja sinal visível desta busca do rosto do Senhor e dos caminhos que a Ele conduzem (cf. Jo 14, 8)... A pessoa consagrada testemunha portanto o empenho alegre e diligente da busca assídua e sábia da vontade divina» (cf. Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e para as Sociedades de Vida Apostólica, Instrução O serviço da autoridade e a obediência. Faciem tuam Domine requiram [2008], 1).
Caros irmãos e irmãs, sede ouvintes assíduos da Palavra, porque toda a sabedoria de vida nasce da Palavra do Senhor! Sede perscrutadores da Palavra através da lectio divina, porque a vida consagrada «nasce da escuta da Palavra de Deus e acolhe o Evangelho como sua norma de vida». Deste modo, viver no seguimento de Cristo casto, pobre e obediente é uma “exegese” viva da Palavra de Deus. O Espírito Santo, por cuja virtude foi escrita a Bíblia, é o mesmo que ilumina a Palavra de Deus, com nova luz, para os fundadores e fundadoras. Dela brotou cada um dos carismas e dela cada regra quer ser expressão, dando origem a itinerários de vida cristã marcados pela radicalidade evangélica» (Verbum Domini, 83).
Hoje vivemos, sobretudo nas sociedades mais avançadas, uma condição muitas vezes marcada por uma pluralidade radical, por uma marginalização progressiva da religião da esfera pública, de um relativismo que atinge os valores fundamentais. Isto exige que o nosso testemunho cristão
seja luminoso e coerente, e que o nosso esforço educativo seja cada vez mais atento e generoso. A vossa obra apostólica, em particular, dilectos irmãos e irmãs, se torne empenho de vida que acede com paixão perseverante à Sabedoria como verdade e beleza, «esplendor da verdade». Sabei orientar com a sabedoria da vossa vida, e com a confiança nas possibilidades inesgotáveis da verdadeira educação, a inteligência e o coração dos homens e das mulheres do nosso tempo em relação à «vida boa do Evangelho».
Neste momento, dirijo o meu pensamento com carinho especial a todos os consagrados e consagradas, em todas as partes da terra, enquanto vos confio à Bem-Aventurada Virgem Maria:
Ó Maria, Mãe da Igreja,
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
No documento final desta atividade celebrativa dos 500 anos da Regra da OIC – aprovada pelo Papa Júlio II, a 17 de setembro de 1511 – realça-se também “o precioso contributo da OIC na maré de reformismo das congregações monásticas” e “as estratégias da política régia, da nobreza e do poder local que, nos séculos XVI a XVIII, interferem na fundação de mosteiros femininos e sua sustentação no recrutamento de vocações e na execução dos fins espirituais e intuitos assistenciais dos beneméritos”.
Em declarações à Agência ECCLESIA, a irmã Maria Helena Martins Alexandre, da OIC, sublinha que estas iniciativas “dão a conhecer melhor o âmbito histórico em que viveu Santa Beatriz da Silva” e “ajuda os jovens a conhecerem uma vida diferente”.
Há 11 anos na comunidade de Viseu – umas das duas comunidades, juntamente com a de Campo Maior, que a Ordem da Imaculada Conceição tem em Portugal -, esta religiosa refere que o congresso “deu a conhecer a OIC” e, como consequência, “poderão surgir novas vocações” porque a ordem fundada por Santa Beatriz da Silva “é pouco conhecida em Portugal”.
Nascida em Portugal em 1437 e falecida em Toledo (Espanha) em 1492, com canonização em 1976, Santa Beatriz da Silva foi apresentada como “uma mulher forte” e “uma das mais ricas e interessantes do monaquismo peninsular, fonte de espiritualidade e de cultura”.
Com cerca de 200 participantes, neste congresso fez-se também referência ao papel divulgador de Santa Beatriz em relação à Imaculada Conceição.
A fundadora da OIC exerceu um “papel relevante nesse percurso doutrinal e vivencial, ao consagrar toda a sua vida e obra à Imaculada Conceição, na vivência integral dos valores espirituais humanos que esta incarna e inspira como modelo humano e feminino sempre atual e imitável”, pode ler-se.
Segundo as conclusões dos participantes, os “dinamismos criativos” apresentados no congresso devem “ser incentivados: olhar o passado, com rigor científico e histórico, no regresso às raízes e às fontes de sentido perene; olhar o presente, na vivência dos carismas ao serviço da comunhão e na procura da qualidade de vida contemplativa e da presença significativa no mundo; olhar o futuro, com renovada esperança, com paixão e entusiasmo”.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011

No âmbito da Jornada Mundial da Juventude que estamos celebrando, sinto uma grande alegria por poder encontrar-me convosco, que consagrastes a vossa juventude ao Senhor, e agradeço-vos a amável saudação que me dirigistes. Agradeço ao Senhor Cardeal Arcebispo de Madrid por ter previsto este encontro num ambiente tão evocativo como é o do Mosteiro de São Lourenço do Escorial. Se a sua famosa Biblioteca guarda importantes edições da Sagrada Escritura e de Regras Monásticas de várias Famílias Religiosas, a vossa vida de fidelidade à vocação recebida é também uma maneira preciosa de guardar a Palavra do Senhor, que ressoa nas vossas formas de espiritualidade.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Em cada época, homens e mulheres que consagraram a sua vida a Deus na oração - como os monges e as monjas - estabeleceram as suas comunidades em lugares particularmente lindos, nos campos, nas colinas, nos vales montanheses, às margens dos lagos ou do mar, ou até mesmo em pequenas ilhas. Estes lugares unem dois elementos muito importantes para a vida contemplativa: a beleza da criação, que remete à do Criador, e o silêncio, garantido pela distância em relação às cidades e às grandes vias de comunicação. O silêncio constitui a condição ambiental que melhor favorece o recolhimento, a escuta de Deus, a meditação. Já o próprio facto de nos deleitarmos com o silêncio, de nos deixarmos por assim dizer «cumular» do silêncio, predispõe-nos para a oração. O grande profeta Elias, no monte Horeb - ou seja, o Sinai - assistiu a um redemoinho, depois a um tremor de terra e finalmente a clarões de fogo, mas não reconheceu neles a voz de Deus; no entanto, reconheceu-a numa brisa ligeira (cf. 1 Rs 19, 11-13). Deus fala no silêncio, mas é preciso saber ouvi-lo. Por isso, os mosteiros são um oásis em que Deus fala à humanidade; e neles encontra-se o claustro, lugar simbólico, porque é um espaço fechado, mas aberto para o céu.
Edição Semanal em Português - 14 de Agosto de 2011, pg. 12.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Los salmos son expresiones de la experiencia de Dios de un pueblo concreto: el judío. Nosotras, somos invitadas, por la Iglesia, a gustar, en la oración cotidiana de los salmos, las vivencias de hombres y mujeres que han buscado el rostro de Dios y han dado una nueva frescura a sus vidas “agostadas”, teniendo todos sus sentidos atentos, al Dios que pasa en la brisa suave y se manifiesta en el ajetreo del día a día.
El fuego del deseo de Dios nos quema por dentro y nos hace buscar modos de calmar las llamas que arden sin jamás apagarse, como la zarza ardiente. Vivimos en el desierto de la ausencia de la visión de Dios y nuestro ser anhela el agua, pura y cristalina, que alivie el dolor de no poder sentir y experimentar al Dios de la vida de forma plena. ¿Has pensado que tu vida es un salmo que merece la pena poner por escrito, para que tus experiencias, puedan ayudar a otras/os, a encontrarse con el Dios de Jesús?
Busca siempre, no te canses de buscar a Aquel que te busca en cada instante y déjate encontrar, y entonces podrás decir con el salmista: “Oh, Dios, Tu eres mi Dios, por ti madrugo. Mi alma está sedienta de ti, como tierra reseca, agostada sin agua”.
nº 18, Julho de 2011, primeira página.
domingo, 19 de junho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
Mosteiro da Imaculada ConceiçãoSor María Helena de Jesus
O dia 11 de Junho, dia da minha profissão temporal, foi um dia de serenidade, de paz, de alegria e gozo por pertencer ao Senhor de uma maneira tão especial. Deixo-vos o que fui sentindo ao longo da cerimónia.
Eu sei que não quero perder o olhar de Deus nem perder-me pensando só em mim, não quer cansar nem cansar-me, mas entusiasmar-me com Deus e com esta vocação que me deu. Não quero só contemplar a Deus, quero deixar-me contemplar por Ele. Não quero só procurar sem pressa e sem limites mas deixar-me procurar. Não quero só alcançar uma meta mas deixar-me alcançar pelo Amor. Sei que quem procura não sou eu, há alguém que me procura sem cessar, e a quem hoje disse sim, para além dos meus medos, de todas as minhas fragilidades, quero permanecer contigo.
Tive a presença alegre da minha comunidade, do Senhor Arcebispo, de muitos sacerdotes, de muitos amigos e da minha família que se alegra comigo.
Obrigado pelas vossas orações.
sexta-feira, 17 de junho de 2011

“Eu, Soror Maria Helena de Jesus, a exemplo e em honra de Maria Imaculada, livre e voluntariamente consagro-me a Deus com todo o meu ser e comprometo-me a seguir a Cristo segundo a forma do Santo Evangelho e a viver em fraternidade.” Foi com estas palavras que Soror Maria Helena de Jesus, de 33 anos, natural de Reguengos de Monsaraz, Arquidiocese de Évora, fez a profissão religiosa de votos temporários na Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Santa Beatriz da Silva. Conforme nota daquela Ordem, desde esse dia, “Soror Maria Helena de Jesus já não se pertence a si mesma, mas todo o seu está consagrado totalmente a Deus, desposando-se com Jesus Cristo nosso Redentor, em honra da Conceição Imaculada de Sua Mãe, pela profissão dos conselhos evangélicos de obediência, sem próprio e em castidade, vividos em comunhão fraterna e em perpétua clausura, por 3 anos” (cf. CC. GG. 2).
A cerimónia, presidida por D. José Alves, Arcebispo de Évora, e concelebrada por cerca de uma dezena de sacerdotes, decorreu no passado dia 11 de Junho, na igreja do Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior, que se encheu de familiares, amigos e irmãos na fé, muitos oriundos de Reguengos de Monsaraz, comunidade onde a Soror Maria Helena de Jesus cresceu na fé, para se associarem ao compromisso que a jovem fez com Deus.
À homilia, D. José Alves referiu que o “mais importante não é a rapidez das decisões, mas sim a correcção das decisões que cada um toma, o seu fundamento e firmeza, já que a vida só se vive uma vez”, acrescentando que “a candidata à vida religiosa deverá estar ciente que a vida de clausura não pode ser motivada por uma qualquer necessidade de fugir do mundo. A verdadeira razão de uma vida de clausura é a resposta a um forte apelo de viver em grande intimidade com Deus. A monja não foge do mundo, mas corre e procura por todos os meios encontrar-se com Deus”.
O Arcebispo de Évora sublinhou que “Deus fala sempre no silêncio, pois Deus não fala no barulho, nem a voz de Deus se ouve com os ouvidos do corpo, mas só com os ouvidos da alma. Por isso, o silêncio não é um sacrifício mas sim um gozo porque é um silêncio habitado”, explicando que “a alma cristã só experimenta a alegria de viver quando unida a Deus. Monja de clausura proporciona essa ligação estreita com a origem da vida. Quanto maior for essa união, maior será a alegria que experimenta. Assim se explica a alegria permanente das monjas, pois não vieram para o Mosteiros carpir tristezas, mas viver em alegria permanente”.
“Hoje a Irmã Maria Helena de Jesus dá-nos também esta garantia que no silêncio, na oração, na vida de comunhão fraterna se encontra Deus e em Deus se encontra a mais forte razão de viver, o Amor, tal como encontrou há mais de 500 anos Santa Beatriz da Silva”, concluiu o Prelado.
Após a homilia, decorreu o interrogatório feito pelo Arcebispo de Évora, com a noviça ajoelhada, que respondeu “sim quero” às questões colocadas. Seguiu-se a invocação da Graça Divina. Ao terminar a oração, a Vigária e a Mestra de Noviças aproximaram-se do lugar da Abadessa, sendo testemunhas. A Noviça ajoelhou-se e com as mãos juntas entre as da Abadessa, disse a fórmula da Profissão. Emitida a profissão, a neoprofessa recebeu da Abadessa as insígnias, nomeadamente: o manto, o véu, a Regra e a Medalha. O rito da profissão terminou com as Irmãs a darem a paz à comunidade.
Nas palavras de agradecimento que dirigiu aos presentes, Soror Maria Helena de Jesus revelou que “estar a viver este inicio desta caminhada é importante e agradeço as palavras do senhor Arcebispo, pois a vida religiosa é isto, viver num silêncio que faz crescer e que ajuda à intimidade com Deus”.
“Neste momento posso dizer-vos que estou feliz nesta opção e nesta escolha. Espero que o Senhor me ajude a continuar. E que ajude desde aqui a cada um de vocês”, concluiu sob um forte aplauso de todos os presentes.
No final, Soror Maria Helena de Jesus agradeceu pessoalmente a todos os presentes, contagiando, no seu sorriso, o júbilo pelo compromisso definitivo com Deus.
Conhecida em Reguengos de Monsaraz, de onde é natural, como Lena Cachaço, Sor Maria Helena de Jesus retirou-se para o convento de Nossa Senhora da Conceição de Campo Maior há já três anos. Depois de um ano de postulante, recebeu hábito e inseriu-se na comunidade como noviça. Após dois anos de noviciado, este foi o momento de uma consagração mais forte e decisiva.
in Semanário "A DEFESA", 15 de Junho de 2011 - Ano LXXXVIII - nº4518, pg. 7




