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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Liturgia das Horas (1)
“A tradição monástica sabe do tempo certo, o tempo da misericórdia, o tempo agradável e tão desejado, em que Deus produz em nós o seu trabalho. Deste modo, os monges interrompem sempre o seu trabalho diário à hora das orações, a que chamam Horas. As Horas remetem para a hora em que Deus glorificou o seu Filho e em que também permite que o seu esplendor brilhe para os monges. A liturgia é o lugar em que o céu e a terra se tocam, em que o céu resplandece sobre os que rezam. […] as Horas são «anjos que encontramos em determinados momentos, no decurso do dia». Os anjos, […], são mensageiros de Deus, que vêm de uma outra dimensão e nos recordam que cada hora tem a sua própria qualidade, o seu próprio mistério. Tal como devemos escutar os anjos, o que eles têm para nos dizer, na qualidade de mensageiros de Deus, também devemos atentar nas Horas. […] O tempo de oração recorda-nos que cada «hora» é uma «hora-amada», um tempo amado, um tempo em que devemos receber o amor de Deus nas suas diferentes formas.”
Anselm Grun,
"Ao ritmo do tempo dos monges - sobre a relação com um bem valioso",
Paulinas Editora, Prior Velho, 2006,
pgs 23 e 24.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Mosteiro de Santa Maria do Socorro
de Sevilha
Fundado em 1522, por Juana Ayala em casas já existentes perto da Igreja de São Marcos.


sexta-feira, 9 de março de 2012

“Um mosteiro contemplativo constitui também um dom para a Igreja local a que pertence. Representando o seu rosto orante, torna mais plena e significativa a sua presença de Igreja. Uma comunidade monástica pode ser comparada com Moisés, que, na oração, decidiu a sorte das batalhas de Israel (cf. Ex 17, 11) e com a sentinela que vigia de noite à espera da aurora (cf. Is 21, 6). O mosteiro representa a própria intimidade de uma Igreja, o coração onde o Espírito geme e intercede continuamente pelas necessidades da comunidade inteira, e donde se eleva sem cessar a acção de graças pela Vida que Ele concede em cada dia (cf. Col 3, 17).”
Instrução sobre a Vida Contemplativa e a clausura das monjas, «Verbi Sponsa», 8.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Celebração das Vésperas na Festa da Apresentação do Senhor
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica Vaticana, 3ª feira, 2 de Fevereiro de 2011
Prezados irmãos e irmãs!
Na festa hodierna contemplamos o Senhor Jesus que Maria e José apresentam no templo «para O oferecer ao Senhor» (Lc 2, 22). Nesta cena evangélica revela-se o mistério do Filho da Virgem, o consagrado do Pai, que veio ao mundo para cumprir fielmente a sua vontade (cf. Hb 10, 5-7). Simeão indica-o como «luz para iluminar as nações» (Lc 2, 32) e anuncia com palavra profética a sua oferta suprema a Deus e a sua vitória final (cf. Lc 2, 32-35). É o encontro dos dois Testamentos, Antigo e Novo. Jesus entra no antigo templo, Ele que é o novo Templo de Deus: vem visitar o seu povo, obedecendo à Lei e inaugurando os tempos últimos da salvação.
É interessante observar de perto este ingresso do Menino Jesus na solenidade do templo, num grande «vaivém» de muitas pessoas, ocupadas com os seus afazeres: os sacerdotes e os levitas com os seus turnos de serviço, os numerosos devotos e peregrinos, desejosos de se encontrar com o Deus santo de Israel. Porém, nenhum deles se dá conta de nada. Jesus é um menino como os outros, filho primogénito de dois pais muito simples. Até os sacerdotes são incapazes de captar os sinais da nova e especial presença do Messias e Salvador. Só dois anciãos, Simeão e Ana, descobrem a grande novidade.
Guiados pelo Espírito Santo, eles encontram nesse Menino o cumprimento da sua longa espera e vigilância. Ambos contemplam a luz de Deus, que vem iluminar o mundo, e o seu olhar profético abre-se ao futuro, como anúncio do Messias: «Lumen ad revelationem gentium!» (Lc 2, 32). Na atitude profética dos dois anciãos está toda a Antiga Aliança que exprime a alegria do encontro com o Redentor. Ao virem o Menino, Simeão e Ana intuem que Ele é precisamente o Esperado.
A Apresentação de Jesus no templo constitui um ícone eloquente da doação total da própria vida por quantos, homens e mulheres, são chamados a reproduzir na Igreja e no mundo, mediante os conselhos evangélicos, «os traços característicos de Jesus casto, pobre e obediente» (
Vita consecrata, 1). Por isso, a Festa hodierna foi escolhida pelo Venerável João Paulo II para celebrar o anual Dia da Vida Consagrada. [...]
Gostaria de propor três breves pensamentos para a reflexão nesta Festa. O primeiro: o ícone evangélico da Apresentação de Jesus no templo contém o símbolo fundamental da luz que, partindo de Cristo, se irradia sobre Maria e José, sobre Simeão e Ana e, através deles, sobre todos. Os Padres da Igreja uniram esta irradiação ao caminho espiritual. A vida consagrada exprime este caminho de modo especial como «filocalia», amor pela beleza divina, reflexo da bondade de Deus (cf. ibid., 19). No rosto de Cristo resplandece a luz de tal beleza. «A Igreja contempla o rosto transfigurado de Cristo, para se confirmar na fé e não correr o risco de perder ao ver o seu rosto desfigurado na Cruz... ela é a Esposa na presença do Esposo, que participa do seu mistério, envolvida pela sua luz, [que] atinge todos os seus filhos... Mas uma singular experiência dessa luz que dimana do Verbo encarnado é feita, sem dúvida, pelos que são chamados à vida consagrada. Na verdade, a profissão dos conselhos evangélicos coloca-os como sinal e profecia para a comunidade dos irmãos e para o mundo» (Ibid., 15).
Em segundo lugar, o ícone evangélico manifesta a profecia, dom do Espírito Santo. Contemplando o Menino Jesus, Simeão e Ana vislumbram o seu destino de morte e ressurreição para a salvação de todos os povos e anunciam tal mistério como salvação universal. A vida consagrada é chamada a tal testemunho profético, ligado à sua dupla atitude contemplativa e activa. De facto, aos consagrados e consagradas é dado manifestar o primado de Deus, a paixão pelo Evangelho praticado como forma de vida e anunciado aos pobres e aos últimos da terra. «Em virtude desta primazia, nada pode ser preferido ao amor pessoal por Cristo e pelos pobres, nos quais Ele vive. A verdadeira profecia nasce de Deus, da amizade com Ele, da escuta diligente da sua Palavra nas diversas circunstâncias da história» (Ibid., 84). Deste modo a vida consagrada, na sua vivência diária pelos caminhos da humanidade, manifesta o Evangelho e o Reino já presente e concreto.
Em terceiro lugar, o ícone evangélico da Apresentação de Jesus no templo expressa a sabedoria de Simeão e Ana, a sabedoria de uma vida dedicada totalmente à busca do rosto de Deus, dos seus sinais, da sua vontade; uma vida dedicada à escuta e ao anúncio da sua Palavra. «“Faciem tuam, Domine, requiram”: busco a vossa face, ó Senhor (Sl 26, 8)... A vida consagrada é no mundo e na Igreja sinal visível desta busca do rosto do Senhor e dos caminhos que a Ele conduzem (cf. Jo 14, 8)... A pessoa consagrada testemunha portanto o empenho alegre e diligente da busca assídua e sábia da vontade divina» (cf. Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e para as Sociedades de Vida Apostólica, Instrução
O serviço da autoridade e a obediência. Faciem tuam Domine requiram [2008], 1).
Caros irmãos e irmãs, sede ouvintes assíduos da Palavra, porque toda a sabedoria de vida nasce da Palavra do Senhor! Sede perscrutadores da Palavra através da lectio divina, porque a vida consagrada «nasce da escuta da Palavra de Deus e acolhe o Evangelho como sua norma de vida». Deste modo, viver no seguimento de Cristo casto, pobre e obediente é uma “exegese” viva da Palavra de Deus. O Espírito Santo, por cuja virtude foi escrita a Bíblia, é o mesmo que ilumina a Palavra de Deus, com nova luz, para os fundadores e fundadoras. Dela brotou cada um dos carismas e dela cada regra quer ser expressão, dando origem a itinerários de vida cristã marcados pela radicalidade evangélica» (
Verbum Domini, 83).
Hoje vivemos, sobretudo nas sociedades mais avançadas, uma condição muitas vezes marcada por uma pluralidade radical, por uma marginalização progressiva da religião da esfera pública, de um relativismo que atinge os valores fundamentais. Isto exige que o nosso testemunho cristão
seja luminoso e coerente, e que o nosso esforço educativo seja cada vez mais atento e generoso. A vossa obra apostólica, em particular, dilectos irmãos e irmãs, se torne empenho de vida que acede com paixão perseverante à Sabedoria como verdade e beleza, «esplendor da verdade». Sabei orientar com a sabedoria da vossa vida, e com a confiança nas possibilidades inesgotáveis da verdadeira educação, a inteligência e o coração dos homens e das mulheres do nosso tempo em relação à «vida boa do Evangelho».
Neste momento, dirijo o meu pensamento com carinho especial a todos os consagrados e consagradas, em todas as partes da terra,
enquanto vos confio à Bem-Aventurada Virgem Maria:
Ó Maria, Mãe da Igreja,
confio-te toda a vida consacrada,
para que lhe obtenhas a plenitude da luz divina:
viva na escuta da Palavra de Deus,
na humildade da sequela de Jesus, teu Filho e nosso Senhor,
no acolhimento da visita do Espírito Santo,
na alegria diária do magnificat,
a fim de que a Igreja seja edificada pela santidade de vida
destes teus filhos e filhas,
no mandamento do amor. Amém!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Reportagem
sobre o Congresso Internacional do 500 anos
da Regra da Ordem da Imaculada Conceição



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Originalidade de Santa Beatriz chega até hoje
17 out 2011 (Ecclesia)
A Ordem da Imaculada Conceição (OIC), fundada pela portuguesa Beatriz da Silva (séc. XV) introduziu “uma espiritualidade mariana inovadora”, referem as conclusões do congresso internacional OIC, realizado em Fátima, entre sexta-feira e domingo.
No documento final desta atividade celebrativa dos 500 anos da Regra da OIC – aprovada pelo Papa Júlio II, a 17 de setembro de 1511 – realça-se também “o precioso contributo da OIC na maré de reformismo das congregações monásticas” e “as estratégias da política régia, da nobreza e do poder local que, nos séculos XVI a XVIII, interferem na fundação de mosteiros femininos e sua sustentação no recrutamento de vocações e na execução dos fins espirituais e intuitos assistenciais dos beneméritos”.
Em declarações à Agência ECCLESIA, a irmã Maria Helena Martins Alexandre, da OIC, sublinha que estas iniciativas “dão a conhecer melhor o âmbito histórico em que viveu Santa Beatriz da Silva” e “ajuda os jovens a conhecerem uma vida diferente”.
Há 11 anos na comunidade de Viseu – umas das duas comunidades, juntamente com a de Campo Maior, que a Ordem da Imaculada Conceição tem em Portugal -, esta religiosa refere que o congresso “deu a conhecer a OIC” e, como consequência, “poderão surgir novas vocações” porque a ordem fundada por Santa Beatriz da Silva “é pouco conhecida em Portugal”.
Nascida em Portugal em 1437 e falecida em Toledo (Espanha) em 1492, com canonização em 1976, Santa Beatriz da Silva foi apresentada como “uma mulher forte” e “uma das mais ricas e interessantes do monaquismo peninsular, fonte de espiritualidade e de cultura”.
Com cerca de 200 participantes, neste congresso fez-se também referência ao papel divulgador de Santa Beatriz em relação à Imaculada Conceição.
A fundadora da OIC exerceu um “papel relevante nesse percurso doutrinal e vivencial, ao consagrar toda a sua vida e obra à Imaculada Conceição, na vivência integral dos valores espirituais humanos que esta incarna e inspira como modelo humano e feminino sempre atual e imitável”, pode ler-se.
Segundo as conclusões dos participantes, os “dinamismos criativos” apresentados no congresso devem “ser incentivados: olhar o passado, com rigor científico e histórico, no regresso às raízes e às fontes de sentido perene; olhar o presente, na vivência dos carismas ao serviço da comunhão e na procura da qualidade de vida contemplativa e da presença significativa no mundo; olhar o futuro, com renovada esperança, com paixão e entusiasmo”.
LFS

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

ENCONTRO COM JOVENS RELIGIOSAS
SAUDAÇÃO DO PAPA BENTO XVI
Pátio de los Reyes de El Escorial
Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011

(Mosteiro de São Lourenço do Escorial - 19 de Agosto de 2011)

Queridas jovens religiosas!
No âmbito da Jornada Mundial da Juventude que estamos celebrando, sinto uma grande alegria por poder encontrar-me convosco, que consagrastes a vossa juventude ao Senhor, e agradeço-vos a amável saudação que me dirigistes. Agradeço ao Senhor Cardeal Arcebispo de Madrid por ter previsto este encontro num ambiente tão evocativo como é o do Mosteiro de São Lourenço do Escorial. Se a sua famosa Biblioteca guarda importantes edições da Sagrada Escritura e de Regras Monásticas de várias Famílias Religiosas, a vossa vida de fidelidade à vocação recebida é também uma maneira preciosa de guardar a Palavra do Senhor, que ressoa nas vossas formas de espiritualidade.
Queridas irmãs, cada carisma é uma palavra evangélica que o Espírito Santo recorda à sua Igreja (cf. Jo 14, 26). Não é em vão que a vida consagrada «nasce da escuta da Palavra de Deus e acolhe o Evangelho como sua norma de vida. Deste modo, viver no seguimento de Cristo casto, pobre e obediente é uma “exegese” viva da Palavra de Deus. (…) Dela brotou cada um dos carismas e dela cada regra quer ser expressão, dando origem a itinerários de vida cristã marcados pela radicalidade evangélica» (Exort. apostólica Verbum Domini, 83).
A radicalidade evangélica é estar «enraizados e edificados em Cristo, e firmes na fé» (cf. Col 2, 7), que, na vida consagrada, significa ir à raiz do amor a Jesus Cristo com um coração indiviso, sem nada antepor a esse amor (cf. São Bento, Regra, IV, 21), com uma doação esponsal como viveram os santos, vivida segundo o estilo de Rosa de Lima e Rafael Arnáiz, jovens patronos desta Jornada Mundial da Juventude. O encontro pessoal com Cristo que alimenta a vossa consagração deve revelar-se, com toda a sua força transformadora, nas vossas vidas; e adquire uma especial relevância hoje, quando se «constata uma espécie de “eclipse de Deus”, uma certa amnésia, senão mesmo uma verdadeira rejeição do cristianismo e uma negação do tesouro da fé recebida, com o risco de se perder a própria identidade profunda» (Mensagem para a XXVI Jornada Mundial da Juventude de 2011, 1). Face ao relativismo e à mediocridade, surge a necessidade desta radicalidade que testemunha a consagração como uma pertença a Deus sumamente amado.
A referida radicalidade evangélica da vida consagrada exprime-se na comunhão filial com a Igreja, casa dos filhos de Deus que Cristo edificou: a comunhão com os Pastores, que propõem, em nome do Senhor, o depósito da fé recebido através dos Apóstolos, do Magistério da Igreja e da tradição cristã; a comunhão com a vossa Família Religiosa, conservando agradecidas o seu genuíno património espiritual e apreciando também os outros carismas; a comunhão com outros membros da Igreja como os leigos, chamados a testemunharem a partir da sua específica vocação o mesmo evangelho do Senhor.
Finalmente a radicalidade evangélica exprime-se na missão que Deus vos quis confiar. Desde a vida contemplativa que, na própria clausura, acolhe a Palavra de Deus em silêncio eloquente e adora a sua beleza na solidão por Ele habitada, até aos mais diversos caminhos de vida apostólica, em cujos sulcos germina a semente evangélica na educação das crianças e jovens, no cuidado dos doentes e idosos, no acompanhamento das famílias, no compromisso a favor da vida, no testemunho da verdade, no anúncio da paz e da caridade, no trabalho missionário e na nova evangelização, e em muitos outros campos do apostolado eclesial.
Queridas irmãs, este é o testemunho da santidade a que Deus vos chama, seguindo de perto e incondicionalmente Jesus Cristo na consagração, na comunhão e na missão. A Igreja precisa da vossa fidelidade jovem, arraigada e edificada em Cristo. Obrigado pelo vosso “sim” generoso, total e perpétuo à chamada do Amado. Que Virgem Maria sustente e acompanhe a vossa juventude consagrada, com o ardente desejo de que interpele, encoraje e ilumine todos os jovens.
Com estes sentimentos, peço a Deus que recompense abundantemente a generosa contribuição da vida consagrada para esta Jornada Mundial da Juventude, e em seu nome vos abençoo de todo o coração.
Muito obrigado.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Na audiência geral o Papa recordou a espiritualidade monástica
Deus fala no silêncio

Os Mosteiros são lugares do espírito, estruturas portantes do mundo, verdadeiros oásis de oração em que Deus fala à humanidade, afirmou o Santo Padre durante a audiência geral de quarta-feira 10 de Agosto, em Castel Gandolfo.

Estimados irmãos e irmãs!
Em cada época, homens e mulheres que consagraram a sua vida a Deus na oração - como os monges e as monjas - estabeleceram as suas comunidades em lugares particularmente lindos, nos campos, nas colinas, nos vales montanheses, às margens dos lagos ou do mar, ou até mesmo em pequenas ilhas. Estes lugares unem dois elementos muito importantes para a vida contemplativa: a beleza da criação, que remete à do Criador, e o silêncio, garantido pela distância em relação às cidades e às grandes vias de comunicação. O silêncio constitui a condição ambiental que melhor favorece o recolhimento, a escuta de Deus, a meditação. Já o próprio facto de nos deleitarmos com o silêncio, de nos deixarmos por assim dizer «cumular» do silêncio, predispõe-nos para a oração. O grande profeta Elias, no monte Horeb - ou seja, o Sinai - assistiu a um redemoinho, depois a um tremor de terra e finalmente a clarões de fogo, mas não reconheceu neles a voz de Deus; no entanto, reconheceu-a numa brisa ligeira (cf. 1 Rs 19, 11-13). Deus fala no silêncio, mas é preciso saber ouvi-lo. Por isso, os mosteiros são um oásis em que Deus fala à humanidade; e neles encontra-se o claustro, lugar simbólico, porque é um espaço fechado, mas aberto para o céu.
Caros amigos, amanhã celebraremos a memória de Santa Clara de Assis. Por isso, apraz-me recordar um destes «oásis» do espírito particularmente queridos à família franciscana e a todos os cristãos: o pequeno convento de São Damião, situado um pouco abaixo da cidade de Assis, no meio dos olivais que descem gradualmente rumo a Santa Maria dos Anjos. Ao pé daquela igrejinha, que Francisco restaurou depois da sua conversão, Clara e as primeiras companheiras estabeleceram a sua comunidade, vivendo de oração e de pequenos trabalhos. Chamavam-se «Irmãs Pobres», e a sua «forma de vida» era a mesma dos Frades Menores: «Observar o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo» (Regra de Santa Clara, I, 2), conservando a união da caridade recíproca (cf. ibid., X, 7) e observando em particular a pobreza e a humildade vividas por Jesus e pela sua santíssima Mãe (cf. ibid., XII, 13).
O silêncio e a beleza do lugar em que vive a comunidade monástica - beleza simples e austera - constituem como que um reflexo da harmonia espiritual que a própria comunidade procura realizar. O mundo está constelado de tais oásis do espírito, alguns muito antigos, particularmente na Europa, outros mais recentes e outros ainda restaurados por novas comunidades. Olhando a realidade numa perspectiva espiritual, estes lugares do espírito são estruturas portantes do mundo! E não é por acaso que muitas pessoas, especialmente nos períodos de pausa, visitam estes lugares, transcorrendo ali alguns dias: graças a Deus, também a alma tem as suas exigências! Portanto, recordemos Santa Clara. Mas lembremos também outras figuras de Santos que nos evocam a importância de dirigir o olhar para as «coisas do céu», como Santa Edith Stein, Teresa Benedita da Cruz, co-Padroeira da Europa, celebrada ontem. E hoje, 10 de Agosto, não podemos esquecer São Lourenço, diácono e mártir, com especiais bons votos aos romanos, que desde sempre o veneram como um dos seus padroeiros. Agora, dirijamo-nos à Virgem Maria, para que nos ensine a amar o silêncio e a oração.
L'OSSERVATORE ROMANO
Edição Semanal em Português - 14 de Agosto de 2011, pg. 12.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

TOMAD Y BEBED...
Han llegado los días de sol y calor abrasantes. La naturaleza con sus campos resecos, nos hace recordar nuestra sed de vida en plenitud, una sed jamás saciada. Solo Dios, la Fuente de Agua Viva, puede saciarnos.
Los salmos son expresiones de la experiencia de Dios de un pueblo concreto: el judío. Nosotras, somos invitadas, por la Iglesia, a gustar, en la oración cotidiana de los salmos, las vivencias de hombres y mujeres que han buscado el rostro de Dios y han dado una nueva frescura a sus vidas “agostadas”, teniendo todos sus sentidos atentos, al Dios que pasa en la brisa suave y se manifiesta en el ajetreo del día a día.
El fuego del deseo de Dios nos quema por dentro y nos hace buscar modos de calmar las llamas que arden sin jamás apagarse, como la zarza ardiente. Vivimos en el desierto de la ausencia de la visión de Dios y nuestro ser anhela el agua, pura y cristalina, que alivie el dolor de no poder sentir y experimentar al Dios de la vida de forma plena. ¿Has pensado que tu vida es un salmo que merece la pena poner por escrito, para que tus experiencias, puedan ayudar a otras/os, a encontrarse con el Dios de Jesús?
Busca siempre, no te canses de buscar a Aquel que te busca en cada instante y déjate encontrar, y entonces podrás decir con el salmista: “Oh, Dios, Tu eres mi Dios, por ti madrugo. Mi alma está sedienta de ti, como tierra reseca, agostada sin agua”.
In Boletim «Contemplación y Vida» da Federação Bética da Ordem da Imaculada Conceição,
nº 18, Julho de 2011, primeira página
.

domingo, 19 de junho de 2011

A Loucura da Vida Contemplativa
Testemunho

19 de Agosto de 1894
«Fico muito satisfeita, minha querida irmãzinha, por tu não sentires atracção sensível ao vires para o Carmelo, é uma delicadeza de Jesus que quer receber de ti um presente. Ele sabe que é muito mais doce dar do que receber. Temos só o breve instante da vida para dar a Deus… e Ele prepara-se para dizer: «Agora é a minha vez…» Que felicidade sofrer por aquele que nos ama até à loucura e passar por loucas aos olhos do mundo. Julgam-se os outros por si mesmo, e como o mundo é insensato pensa naturalmente que as insensatas somos nós!... Mas no fim de contas, não somos as primeiras, o único crime que foi censurado a Jesus por Herodes foi o de ser louco e eu penso como ele!... sim era loucura procurar os pobres dos coraçõezitos dos mortais para deles fazer seus tronos, Ele o Rei de Glória que está sentado sobre os querubins…Ele a quem nem os céus podem conter…Estava louco o nosso Bem-amado, os seus íntimos, os seus semelhantes, Ele que era perfeitamente feliz com as duas pessoas adoráveis da Trindade!... Nunca poderemos fazer por Ele as loucuras que fez por nós, e as nossas acções não merecem este nome, porque são apenas actos muito razoáveis e muito abaixo daquilo que o nosso amor queria realizar. Portanto, o mundo é que é insensato visto que ignora o que Jesus fez para o salvar, é o açambarcador que seduz as almas e as conduz a fontes sem água… Nós também não somos nem preguiçosas nem pródigas. Jesus defendeu-nos na pessoa de Madalena. Estava à mesa, Marta servia, Lázaro comia com Ele e com os discípulos. Quanto a Maria, não pensava em tomar alimento mas em dar prazer Àquele que amava, por isso pegou num vaso de perfume de elevado preço e derramou-o sobre a cabeça de Jesus quebrando o vaso, então a casa toda ficou cheia do odor do perfume mas os Apóstolos murmuravam contra Madalena…Foi mesmo como para nós, os cristãos mais fervorosos, os sacerdotes acham que somos exageradas, que devíamos servir como Marta em vez de consagrar a Jesus os vasos das nossas vidas com os perfumes que neles estão encerrados…E todavia, que importa que os nossos vasos sejam quebrados se Jesus é consolado e se o mundo, mesmo sem querer, se vê obrigado a cheirar os perfumes que deles se exalam e que servem para purificar o ar envenenado que constantemente respira.»
Santa Teresa do Menino Jesus

sábado, 18 de junho de 2011

Mosteiro da Imaculada Conceição
Campo Maior
Sor María Helena de Jesus


O dia 11 de Junho, dia da minha profissão temporal, foi um dia de serenidade, de paz, de alegria e gozo por pertencer ao Senhor de uma maneira tão especial. Deixo-vos o que fui sentindo ao longo da cerimónia.
Eu sei que não quero perder o olhar de Deus nem perder-me pensando só em mim, não quer cansar nem cansar-me, mas entusiasmar-me com Deus e com esta vocação que me deu. Não quero só contemplar a Deus, quero deixar-me contemplar por Ele. Não quero só procurar sem pressa e sem limites mas deixar-me procurar. Não quero só alcançar uma meta mas deixar-me alcançar pelo Amor. Sei que quem procura não sou eu, há alguém que me procura sem cessar, e a quem hoje disse sim, para além dos meus medos, de todas as minhas fragilidades, quero permanecer contigo.
Tive a presença alegre da minha comunidade, do Senhor Arcebispo, de muitos sacerdotes, de muitos amigos e da minha família que se alegra comigo.
Obrigado pelas vossas orações.
(Texto publicado em Espanhol na página Web da Federação Santa Maria da Guadalupe da Ordem da Imaculada Conceição a que pertence o Mosteiro de Campo Maior. Tradução para o Português da responsabilidade do autor deste blog)

sexta-feira, 17 de junho de 2011


Profissão de votos temporários em Campo Maior

“Eu, Soror Maria Helena de Jesus, a exemplo e em honra de Maria Imaculada, livre e voluntariamente consagro-me a Deus com todo o meu ser e comprometo-me a seguir a Cristo segundo a forma do Santo Evangelho e a viver em fraternidade.” Foi com estas palavras que Soror Maria Helena de Jesus, de 33 anos, natural de Reguengos de Monsaraz, Arquidiocese de Évora, fez a profissão religiosa de votos temporários na Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Santa Beatriz da Silva. Conforme nota daquela Ordem, desde esse dia, “Soror Maria Helena de Jesus já não se pertence a si mesma, mas todo o seu está consagrado totalmente a Deus, desposando-se com Jesus Cristo nosso Redentor, em honra da Conceição Imaculada de Sua Mãe, pela profissão dos conselhos evangélicos de obediência, sem próprio e em castidade, vividos em comunhão fraterna e em perpétua clausura, por 3 anos” (cf. CC. GG. 2).

A cerimónia, presidida por D. José Alves, Arcebispo de Évora, e concelebrada por cerca de uma dezena de sacerdotes, decorreu no passado dia 11 de Junho, na igreja do Mosteiro da Imaculada Conceição de Campo Maior, que se encheu de familiares, amigos e irmãos na fé, muitos oriundos de Reguengos de Monsaraz, comunidade onde a Soror Maria Helena de Jesus cresceu na fé, para se associarem ao compromisso que a jovem fez com Deus.

À homilia, D. José Alves referiu que o “mais importante não é a rapidez das decisões, mas sim a correcção das decisões que cada um toma, o seu fundamento e firmeza, já que a vida só se vive uma vez”, acrescentando que “a candidata à vida religiosa deverá estar ciente que a vida de clausura não pode ser motivada por uma qualquer necessidade de fugir do mundo. A verdadeira razão de uma vida de clausura é a resposta a um forte apelo de viver em grande intimidade com Deus. A monja não foge do mundo, mas corre e procura por todos os meios encontrar-se com Deus”.

O Arcebispo de Évora sublinhou que “Deus fala sempre no silêncio, pois Deus não fala no barulho, nem a voz de Deus se ouve com os ouvidos do corpo, mas só com os ouvidos da alma. Por isso, o silêncio não é um sacrifício mas sim um gozo porque é um silêncio habitado”, explicando que “a alma cristã só experimenta a alegria de viver quando unida a Deus. Monja de clausura proporciona essa ligação estreita com a origem da vida. Quanto maior for essa união, maior será a alegria que experimenta. Assim se explica a alegria permanente das monjas, pois não vieram para o Mosteiros carpir tristezas, mas viver em alegria permanente”.

“Hoje a Irmã Maria Helena de Jesus dá-nos também esta garantia que no silêncio, na oração, na vida de comunhão fraterna se encontra Deus e em Deus se encontra a mais forte razão de viver, o Amor, tal como encontrou há mais de 500 anos Santa Beatriz da Silva”, concluiu o Prelado.

Após a homilia, decorreu o interrogatório feito pelo Arcebispo de Évora, com a noviça ajoelhada, que respondeu “sim quero” às questões colocadas. Seguiu-se a invocação da Graça Divina. Ao terminar a oração, a Vigária e a Mestra de Noviças aproximaram-se do lugar da Abadessa, sendo testemunhas. A Noviça ajoelhou-se e com as mãos juntas entre as da Abadessa, disse a fórmula da Profissão. Emitida a profissão, a neoprofessa recebeu da Abadessa as insígnias, nomeadamente: o manto, o véu, a Regra e a Medalha. O rito da profissão terminou com as Irmãs a darem a paz à comunidade.

Nas palavras de agradecimento que dirigiu aos presentes, Soror Maria Helena de Jesus revelou que “estar a viver este inicio desta caminhada é importante e agradeço as palavras do senhor Arcebispo, pois a vida religiosa é isto, viver num silêncio que faz crescer e que ajuda à intimidade com Deus”.

“Neste momento posso dizer-vos que estou feliz nesta opção e nesta escolha. Espero que o Senhor me ajude a continuar. E que ajude desde aqui a cada um de vocês”, concluiu sob um forte aplauso de todos os presentes.

No final, Soror Maria Helena de Jesus agradeceu pessoalmente a todos os presentes, contagiando, no seu sorriso, o júbilo pelo compromisso definitivo com Deus.

Conhecida em Reguengos de Monsaraz, de onde é natural, como Lena Cachaço, Sor Maria Helena de Jesus retirou-se para o convento de Nossa Senhora da Conceição de Campo Maior há já três anos. Depois de um ano de postulante, recebeu hábito e inseriu-se na comunidade como noviça. Após dois anos de noviciado, este foi o momento de uma consagração mais forte e decisiva.

in Semanário "A DEFESA", 15 de Junho de 2011 - Ano LXXXVIII - nº4518, pg. 7