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terça-feira, 11 de agosto de 2009

1ª Parte: Conferência
pronunciada em León,
por ocasión del V Centenario
de la Bula fundacional
de la Orden “Inter Universa”

pela madre Mercedes de Jesús Egido oic
del Monasterio
de Monjas Concepcionistas
de Alcazár de San Juan
“A PRIMEIRA INSPIRAÇÃO
DA ORDEM
DA IMACULADA CONCEIÇÃO”

Profundizar el carisma fundacional es un deber de todo religioso, pues cuanto mejor se conozca mejor se entiende, cuanto mejor se capte mejor también se presentará y se vivirá la propia identidad en el seno de la Iglesia y, por lo mismo, se dispondrá de los elementos necesarios e imprescindibles para que dicho carisma sea una realidad viva y eficaz hoy tal y como nos lo exigen los signos de los tiempos.
El carisma fundacional es eminentemente dinámico, como fruto que es del Espíritu Santo. Por eso y para conocerlo mejor, si hemos de mirar hacia atrás, en nuestro caso, hacia nuestra Madre Fundadora es, para que nos sirva de catapulta, de palanca que nos lance hacia delante. No podemos olvidar que todo carisma religioso es profético y, por lo mismo, en cada momento histórico ha de hablar, ha de gritar, diría yo, los auténticos valores fundamentales de una vida evangélica que es toda vida religiosa, es decir, de un auténtico y real seguimiento de Cristo.
Mi intervención ante esta cualificada asamblea no pretende ser otra cosa que esto: el testimonio de una concepcionista que, como todas las hijas de Santa Beatriz, quiere vivir radical y entusiastamente su propio carisma religioso como respuesta a la vocación que ha recibido del Señor, en servicio de la Iglesia y de la humanidad entera.
Por ello podréis comprender que no pretendo descubrir América, ¡hace cinco siglos que se descubrió!, los mismos que tiene nuestra Orden. Sencillamente deseo recordar con vosotros unos hechos seculares, destellos de una estrella que, encendida por Dios para iluminar nueva senda, se vio represada en su propia luz por acontecimientos externos, y así ha permanecido durante casi cinco siglos, hasta que ahora, los inspirados decretos del Vaticano II, fijándose en sus orígenes, ha hecho posible que lleguen hasta nosotros renovados y renovadores sus primigenios fulgores.
La lectura del carisma fundacional de Santa Beatriz hay que hacerla a la luz del Evangelio, con serenidad y paz, con deseo de verdad, sin ideas preconcebidas. A partir de un conocimiento serio y científico de sus orígenes, de su entorno histórico y socio - religioso y, al mismo tiempo, con la transparencia y capacidad de admiración de un inocente niño. Porque la Iglesia nos enseña que los carismas de los fundadores son una riqueza espiritual, dones que le regala el Espíritu Santo (P.C. 1) y que ella no quiere perder. Por ello ha ordenado que les restituyamos su lozanía primigenia.
Es lo que está intentando llevar a cabo la Orden concepcionista, pero que quizá, por un escaso conocimiento o por otras varias razones y acondicionamientos o intereses creados, esté resultando lenta y penosa.
Este V Centenario de la aprobación de la Orden mediante la Bula “Inter universa” esclarece mucho el camino, mejor, queda iluminado con sus originales y limpios destellos, como dije al principio, para conseguir su propia renovación.
Y el hecho de que sea tan festiva y jubilosamente celebrada esta Bula por toda la Orden en estas circunstancias de renovación es ya una gracia previa de Dios en todas las concepcionistas, para entrar en la verdadera línea de renovación del espíritu fundacional de la Santa Madre, de lo que la Iglesia a ella le aprobó. Es, por tanto, el medio directo de contactar con la Fundadora.
Cabe, pues, esperar, que las concepcionistas no impidamos que esta Bula consiga ahora la renovación de la Orden, como en su tiempo alcanzó su aprobación.
Y sin más preámbulos, pasamos a tratar del carisma de Santa Beatriz de Silva.
(continua)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Com a Bula "Inter Universa" de 30 de Abril de 1489, Inocêncio VIII confirma a fundação do mosteiro da Imaculada Conceição de Toledo, consequentemente de todos os mosteiros que a partir deste forem surgindo, ou seja da própria Ordem da Imaculada Conceição.
Assim sendo, passam hoje 520 da aprovação da Ordem da Imaculada Conceição.

Este é o documento pontifício mais antigo em que se faz menção a Santa Beatriz, nele podemos encontrar as mais antigas e seguras notícias em torno dos princípios da Ordem da Imaculada Conceição, fundada pela Campomaiorense Santa Beatriz da Silva e Meneses.

Bula "INTER UNIVERSA"
1. Inocêncio Bispo, servo dos servos de Deus, aos veneráveis irmãos: os Bispos de Coria e de Catânia e ao amado filho e Oficial da Igreja de Toledo, saúde e bênção apostólica.
2. Considerando que, entre os numerosos ministérios aceites a serviço da divina Majestade, não é de menor importância a fundação de Mosteiros e casas religiosas, onde as virgens prudentes se preparam para sair, com as lâmpadas acesas, ao encontro do Esposo Cristo Jesus, e lhe ofereçam um agradável e obsequioso culto, condescendemos de bom grado aos piedosos desejos de pessoas devotas em ordem à fundação e erecção de mosteiros e casas religiosas, e acedemos favoravelmente às humildes súplicas das mesmas.
3. Assim, pois, como se nos há apresentando recentemente, da parte da amada filha em Cristo, Beatriz da Silva, vizinha de Toledo, uma petição na qual se declara que, em seu dia, nossa filha caríssima em Cristo, Isabel, rainha ilustre de Castela e de Leão, por singular devoção que professa à Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, havia concedido e doado, livre e generosamente, à mencionada Beatriz, desejosa de abraçar a vida religiosa, uma casa grande, denominada Os palácios de Galiana, situada na cidade de Toledo, propriedade legítima da mesma rainha, na qual existe uma igreja antiga ou capela sob a invocação da Santa Fé, com o propósito de fundar nela, em honra do mistério da Conceição, um Mosteiro de alguma ordem aprovada, na qual a mesma Beatriz e outras devotas mulheres, suas companheiras, vivessem sob regular observância e servissem ao Altíssimo e à Bem-aventurada Virgem Maria: e que as já mencionadas Beatriz e senhoras aceitaram, em virtude de tal concessão e doação, a referida casa e desde então a habitaram e no presente a habitam, vivendo em comum e servindo ao Altíssimo e à Bem-aventurada Virgem Maria, com a expressa intenção de que fique constituído ali o citado mosteiro.
4. Pelo qual, se Nos suplica humildemente, de parte de Beatriz, a qual assegura haver nascido de nobre estirpe, e que ela e as citadas senhoras desejam professar a Ordem de Cister, pela devoção que lhe têm, que Nos dignássemos, com benignidade apostólica, erigir na mencionada casa um mosteiro de monjas desta Ordem, sob a advocação da Conceição bem-aventurada, com abadessa, campanário, sino, dormitório, refeitório, claustro, horta, currais e outras dependências necessárias, onde vivam em comum e sob regular observância e em clausura perpétua: e que a mencionada igreja ou capela se lhe destine para igreja ou capela própria: mais outras providências oportunamente previstas.
5. Nós, pois, que com sumo interesse desejamos, especialmente nestes tempos, o incremento do culto, a propagação da religião e a salvação das almas, estimando muito ante o Senhor o piedoso e louvável propósito da rainha e de Beatriz, acedendo a tais pedidos e em atenção também a que a rainha, em pessoa, humildemente no-lo pede, encomendamos por estas Letras apostólicas, à vossa solicitude fraternal que um, ou dois de vós, ou todos três erijais com a nossa autoridade na citada casa um mosteiro de Ordem cisterciense sob o título da Conceição, com categoria abacial, campanário, sino, dormitório, refeitório, claustro, horta, currais e outras dependências necessárias, para uma abadessa que presida às demais monjas da dita Ordem, a saber, para Beatriz e às senhoras que com ela ali moram, se quiserem professar, as quais hão-de viver em comum e sob regular observância e em clausura perpétua; e que elas e o seu mosteiro, da mesma forma que o de São Domingos, de Toledo, da mesma Ordem, denominado «O Velho», e alguns outros mosteiros desta Ordem que estão sujeitos aos Ordinários do lugar, fiquem sob a jurisdição do Arcebispo, que seja, de Toledo, sem prejuízo, além do mais, de terceiro, e salvaguardando sempre em tudo o direito da Igreja paroquial e de outro qualquer: e a referida igreja ou capela entregai-lha para igreja sua perpetuamente; e que concedais à abadessa, que seja, do referido mosteiro e ao seu convento a faculdade de estabelecer alguns estatutos e ordenações louváveis e honestos, que não sejam contrários aos sagrados cânones, os quais as monjas que vivem no citado mosteiro estarão obrigadas a observar perpetuamente, ainda no que se refere à eleição da abadessa, tanto por esta primeira vez como nas que se sucederem; e que a abadessa, que seja, e as referidas monjas levem hábitos e escapulários brancos, e sobre eles, um manto cor celeste, com a imagem da Bem-Aventurada Virgem Maria fixa sobre o manto e o escapulário, e que se cinjam com um cordão de canhamo ao estilo dos Frades Menores: e que em ordem à celebração da Horas canónicas, que devem dizer segundo o costume da Igreja Romana, se observe deste modo, a saber: que, à excepção dos domingos, nos quais deve ler-se por obrigação algum livro já iniciado ou o ofício do dia, e quando se celebram festas de rito duplo ou semi-duplo ou solene, e igualmente nos dias feriais, quando não se pode omitir o Ofício do dia, e nas oitavas das festas assinaladas, nos demais dias, durante todo o ano, hão-de celebrar as horas canónicas maiores e o Oficio Divino do mistério da Conceição; e que nos dias de excepção já assinalados, quando devem dizer as Horas maiores de Domingo ou da féria ou de festa, hão-de celebrar o Ofício Parvo (breve) da Bem-aventurada Virgem Maria, com as antífonas, versículos, capitulas e orações do mistério da Conceição: e que jejuem todas as sextas-feiras e durante o Advento do Senhor e nos demais dias em que os fiéis cristãos estão obrigados a jejuar, e não sejam obrigadas a mais jejuns. E como, segundo se afirma, a cidade de referência dista do mar sete dias ou mais, e sofre contínua escassez de peixes, podem comer carne sempre, menos nos dias assinalados de jejum, e aos sábados e às quartas-feiras:
6. E que a Abadessa, que seja, depois de escutar o parecer das monjas que lhe assistem como conselheiras, possa dispensar-se a si mesma e às demais monjas do mosteiro indicado, quando lhe parecer conveniente, dos jejuns a que estão obrigadas em virtude destas disposições, que não em virtude do Direito comum; e o mesmo se diga das roupas de linho: e que possam escolher do clero secular ou do clero regular com licença dos seus superiores alguns sacerdotes, para confessores e para que se lhes celebrem as Missas e outros Ofícios divinos, e para que lhes administrem os sacramentos da Igreja; os quais, depois de ouvi-las atentamente em confissão, possam absolver a abadessa e a cada uma das monjas que viverem no dito mosteiro, por uma só vez na vida, de todos os casos reservados à Sé Apostólica, e dos demais casos quantas vezes parecer conveniente, impondo-lhe uma saudável penitência; e podem dar-lhe também, uma vez na vida e em artigo de morte, a absolvição plenária de todos seus pecados, dos quais se tivessem confessado com coração contrito, permanecendo na verdadeira fé, em união com a Santa Igreja Romana e na obsequiosa obediência a Nós devida e aos Romanos Pontífices que legitimamente Nos sucederem.
7. E que determineis e ordeneis, com igual autoridade, que ninguém possa entrar na clausura sem expressa licença de qualquer abadessa, sob pena de excomunhão Latae Sententiae, na qual incorrerá no momento em que actue em contrário.
8. Não obstante as constituições e ordenações apostólicas, nem os estatutos e costumes da dita Ordem, ainda ratificados com juramento, ou confirmação apostólica ou de qualquer outra forma corroborados, e tudo o mais que a isto se oponha.
9. Assim, pois, se levais a cabo, como se propõe, em virtude das presentes, a fundação pretendida, Nós, de especial favor concedemos, com autoridade apostólica, no teor das presentes, à abadessa e monjas de referência, que, de hoje em diante, durante a Quaresma e os demais dias em que se visitam as Estações das igrejas de Roma e fora dela, ganhem as mesmas indulgências que lucrariam visitando as igrejas de referência, com a condição de que visitem alguns altares da igreja do citado mosteiro e rezem ajoelhadas, diante deles, três vezes a oração do Senhor, e outras tantas a saudação angélica; e que possam e devam usar, desfrutar e gozar livre e licitamente de todas e cada uma das graças, privilégios e excepções da dita Ordem concedidas em geral pela Santa Sé.
10. Em São Pedro de Roma, dia 30 de Abril do ano da Encarnação do Senhor de 1489, quinto de nosso Pontificado.
Inocêncio VIII

quinta-feira, 19 de março de 2009

Campo Maior,
berço de Santa Beatriz da Silva

Por vezes, é fácil confundir “bairrismo” com “amor à verdade”. No que diz respeito ao lugar do nascimento de Santa Beatriz da Silva (Campo Maior ou Ceuta?), infelizmente, para aqueles que defendem uma tradição de 426 anos, com testemunhos e documentos absolutamente credíveis, que dão a Campo Maior a honra de ser o berço de Beatriz são apelidados de “bairristas” e os defensores de Ceuta teimam em não averiguar e estudar uma tradição de quase 500 anos, agarrando-se a uma obra, “História de Ceuta”, escrita em 1648, pelo português H. de Mascaranhas, ao serviço de Espanha, que diz “deverá” Beatriz ter nascido na cidade africana de Ceuta, quando têm à sua disposição, variadíssima documentação que prova as origens Campomaiorenses de Beatriz.
Por agora detemo-nos em: Santa Beatriz de Silva, Positio sobre la vida y virtudes (traducción española), en el 25 aniversario de su canonización - Toledo - 2001. Obra fundamental que resume toda a documentação histórica de um candidato às honras dos altares.
A citada “Positio”, nos dados biográficos da Santa afirma que esta nasceu em Ceuta: “La Beata Beatriz nasció en Ceuta el año 1424 ó 1426”[1] mais adiante (páginas 179 a 241), dos oito[2] testemunhos recolhidos a quando do início do processo de canonização entre Maio e Julho de 1636[3], só dois, o de Maria de Miño y Frías[4] e o de Maria de Ulloa[5] não referem o local do nascimento[6], os restantes seis afirmam que a Santa nasceu em Campo Maior, diocese de Elvas[7], reino de Portugal.
Há ainda que referir que dos 8 testemunhos recolhidos para o processo e referidos na “Positio”, absolutamente nenhum se refere a Ceuta, muito menos como o local de nascimento de Beatriz da Silva e Meneses.
Há ainda a referir, os relatos biográficos escritos entre 1512 e 1526, publicados e comentados na “Positio” (páginas 43 a 94). Os dois mais antigos referem Campo Maior como o local de nascimento de Beatriz:
- “... e o que se sabe é que nasceu esta senhora em Campo Maior” (notícia biográfica escrita provavelmente em Janeiro de 1512 e encontrada no sepulcro no ano de 1518, escrita por Joana de São Miguel, vigaria do mosteiro da Conceição de Toledo[8]);
- “O que se sabe é, que esta senhora nasceu em Campo Maior” (vida da venerável dona Beatriz da Silva, fundadora da Ordem da Imaculada Conceição, escrita entre 1515 e 1526[9]);
- Os outros dois[10] documentos, não referindo Campo Maior como local de nascimento, dizem-na “…natural do reino de Portugal”, ou “… mulher de nação portuguesa”. Em nenhum dos quatro documentos sequer se refere Ceuta, como local de nascimento, ou por qualquer outro motivo.
De facto, causa muita estranheza que uma tradição de 426 anos que dá a Santa nascida em Campo Maior, seja preterida em favor de um texto - o de Mascaranhas, escrito em 1648 (152 anos depois da morte da Santa), nunca publicado e completamente esquecido durante 270 anos - arrancado ao completo esquecimento e publicado em 1918[11], sobrepondo-se a uma tradição secular confirmada por documento e testemunhos referidos na “Positio”.
Ao ler a Bula da Canonização e a Homilia da mesma, do papa Paulo VI, o argumento a favor de Campo Maior cairá por terra, pois o papa diz que Beatriz nasceu em Ceuta[12]. Contudo, há que dizer que o Romano Pontífice é “infalível” em questões de Fé e Tradição, não em História. Mais ainda, muito provavelmente, o Papa trabalhou a partir dos elementos que lhe foram facultados e muito provavelmente apresentaram-lhe Beatriz nascida em Ceuta e não a tese, testemunhos, documentação e argumentação que a dão como natural de Campo Maior.
Dos oito testemunhos recolhidos entre Maio e Junho de 1636 para o processo de canonização da serva de Deus Beatriz da Silva, seis[13], à pergunta sobre o lugar do nascimento da fundadora da Ordem da Imaculada Conceição, afirmam que a que a Santa nasceu em Campo Maior, diocese de Elvas, reino de Portugal.
No espaço que se segue, transcrevemos a resposta das referidas seis testemunhas à pergunta do local de nascimento da Senhora Dª Beatriz da Silva.
1. Mariana de Luna, abadessa do mosteiro da Santíssima Conceição de Toledo (ff. 75-98)[14]
Foi a primeira interrogada, a 10 de Maio de 1636, Mariana de Luna, abadessa do Mosteiro das Concepcionistas de Toledo. É a mais idosa das monjas examinadas durante o processo. Natural de Toledo, naquele tempo tinha 71 anos e havia 60 que se encontrava no mosteiro da Conceição no qual tinha entrado a 25 de Abril de 1575. Portanto, conhecia bem a tradição do mosteiro em torno da Beata Beatriz. E o seu conhecimento une-se com a própria beata. Enquanto estava viva. Com efeito, a testemunha menciona algumas monjas das quais ouviu o que afirma; e uma destas, Guiomar de Avellaneda, tinha entrado na Ordem em 1500, a qual teve que conhecer as companheiras da fundadora e conservar as mais antigas memórias.
À 1ª pergunta disse que, seguindo a tradição que esta testemunha tem desde há 60 anos em que entrou para se fazer monja neste convento, ouviu dizer às monjas que estavam no convento que a venerável madre dona Beatriz da Silva nasceu na cidade de Campo Maior no reino de Portugal, diocese de Elvas.
2. Joana de Leiva, monja do mosteiro da Santíssima Conceição de Toledo (ff. 99-130)[15]
Na sessão de 14 de Maio de 1636 foi interrogada a monja Joana de Leiva de 46 anos, nascida em Bruxelas e que entrou no mosteiro da Conceição aos 10 anos de idade. Era filha da princesa de Áscoli, testemunhou neste processo e do qual copiaremos a sua declaração. Também este testemunho confirma a tradição do mosteiro, da qual na realidade provém o seu conhecimento sobre a beata.
Beatriz da Silva, todas de vida exemplar. Dirá tudo o que sabe por tradição e por tê-lo lido no livro da fundação e em outras histórias. Disse portanto que é coisa notória que a dita dona Beatriz da Silva nasceu na cidade de Campo Maior, diocese de Elvas, em Portugal…
3. Madalena Porcia, princesa de Áscoli (ff. 457-479)[16]
Ainda que não pertencesse à Ordem Concepcionista, a princesa de Áscoli viveu trinta e oito anos no mosteiro da Conceição de Toledo, dos quais esteve 17 em clausura. Foi benfeitora do mosteiro, especialmente conhecida porque em 1618 fez arranjar o sepulcro da Beata. A declaração desta testemunha não se distancia da das monjas Concepcionistas, contudo é interessante na medida que provém de uma pessoa leiga que viveu longos anos naquele ambiente religioso.
À 1ª pergunta respondeu sua excelência que havia mais de 38 anos que tinha entrado no convento, dos quais havia vivido 17 em clausura; no início conheceu no mesmo convento a Catarina de São Paulo, Maria de São Jerónimo, dona Isabel de Peralta e dona Joana de Sotomayor e dona Petronila de Rojas, pessoas muito idosas, muitas das quais foram abadessas neste convento e de vida santa, as quais diziam ter tido convivência com as religiosas que entraram nos primeiros tempos desta Ordem no primeiro convento da fundação. Disse que conhecia a todas as demais religiosas que tinha encontrado neste convento e que por isso tudo o que dizia era, por tradição, notório e público, proveniente das primeiras religiosas da Ordem, até àquelas que referiu e também pelas histórias que tinha lido num livro antigo que se encontrava naquele convento sobre a fundação da Ordem. Sabia, pois, que a venerável dona Beatriz da Silva tinha nascido em Campo Maior, na diocese de Elvas, no reino de Portugal…
4. Francisco Pablo Inza, médico do mosteiro da Santíssima Conceição de Toledo (ff. 501-504)[17]
O médico do mosteiro da Santíssima Conceição de Toledo, Francisco Pablo Inza, de quase 60 anos de idade, natural de Valência, foi interrogado a 21 de Junho de 1636. E a ele só lhe foram feitas duas perguntas, a I e a XXXI. Depois de ter respondido sobre a fama de santidade que Beatriz goza universalmente, informa a respeito de algumas curas milagrosas. A sua declaração confirma também a convicção geral de que Beatriz é uma santa.
À 1ª pergunta respondeu que desde há uns dez anos era o médico do Convento da Conceição desta cidade, e que, pelas histórias que tinha lido e por ter falado com pessoas tanto do dito convento como seculares (leigos), sabia que a venerável dona Beatriz da Silva, nasceu na cidade de Campo Maior, na diocese de Elvas, no reino de Portugal…
6. Gaspar Téllez, leigo e tio de uma das monjas da Santíssima Conceição de Toledo (ff. 599-620)[18]
É um secular (leigo), natural das Ilhas Canárias e residente em Toledo há mais de trinta e nove anos. Conheceu o mosteiro da Conceição de Toledo, porque nele se encontrava como monja uma sobrinha de sua mulher. Também a sua declaração, feita a 30 de Junho de 1636, confirma a fama de santidade, mais ainda, ele refere um facto milagroso conhecido por ele pessoalmente.
À 1ª pergunta respondeu que tudo o que ele dirá soube-o por tradição, fama pública e histórias lidas, e também porque está no Convento da Puríssima Conceição desta cidade dona Maria Espinosa Monteflor, monja professa, sobrinha de dona Francisca Monteflor, sua mulher, que entrou no Convento há doze anos, e porque conhece o Convento desde há uns trinta anos. Sabe, portanto que a venerável dona Beatriz da Silva nasceu na cidade de Campo Maior, no reino de Portugal, da diocese de Elvas…
8. Maria de Aragón, monja Dominicana do mosteiro da “Madre de Deus” de Toledo (ff. 693-704)[19]
A testemunha é uma das monjas mais idosas do mosteiro da “Madre de Deus”, no qual por algum tempo foram conservados os ossos de Beatriz. Natural de Guadalajara, de 60 anos de idade, foi interrogada a 9 de Julho de 1636. A sua declaração não apresenta notícias desconhecidas aos outros testemunhos. Confirma, sem dúvida, que também neste mosteiro Beatriz é considerada como uma santa. O testemunho refere também um milagre que aconteceu no translado dos ossos do mosteiro da “Madre de Deus” para o mosteiro da Conceição.
À 1ª pergunta respondeu que tudo o que sobre esta causa podia dizer o tinha conhecido por tradição, por fama e por história, e que tudo o tinha aprendido no convento. Sabia que a venerável dona Beatriz da Silva tinha nascido na cidade de Campo Maior, no reino de Portugal…
[1] Ordem de la Imaculada Concepción – Confederación “Santa Beatriz de Silva”, “Santa Beatriz de Silva: Positio sobre la vida y virtudes” (traducción española), en el 25 aniversario de su canonización - Toledo – 2001, pg. 1.
[2] Os testemunhos recolhidos entre Maio e Julho de 1636 para o processo de canonização são 48, contudo só 8 são utilizados na “Positio”.
[3] O início do processo de canonização e a recolha dos 48 testemunhos sobre a fama de santidade de Beatriz e dos 12 testemunhos sobre os dois milagres que lhe são atribuídos (Julho de 1638) aconteceu cerca de 145 anos depois da morte da Santa.
[4] Superiora do Convento das Comendadoras de Santiago, que habitavam o convento de Santa Fé, no qual Santa Beatriz fundou a Ordem.
[5] Monja dominicana do mosteiro de São Domingos “O Real”.
[6] E entende-se perfeitamente o porquê da omissão do local do nascimento, pois não sendo da Ordem fundada pela Santa, não tinham acesso às mesmas informações das monjas da Ordem e certamente eram pormenores que não lhe interessavam sobremaneira, e se perderam com o passar dos anos, o que retiveram e lhe interessava a elas e a quem as interrogava era o testemunho de santidade de Beatriz que perdurava quer entre as Dominicanas de São Domingos “O Real”, quer entre as Comendadoras de Santiago de Santa Fé.
[7] A quando do nascimento de Santa Beatriz da Silva (séc. XV), Campo Maior pertencia à diocese de Évora, contudo, a quando da recolha dos testemunhos (séc. XVII), pertencia à entretanto criada diocese de Elvas [O Papa Pio V, pela Bula "Super cunctas" de 9 de Junho de 1570, destacou a parte oriental da diocese de Évora, para constituir a Diocese de Elvas (a que passou a pertencer a Vila de Campo Maior), que ficou sufragânea de Évora]. Actualmente, com a extinção da diocese de Elvas [com a remodelação diocesana ordenada por Leão XIII com a Bula "Gravissimum Christi" de 3 de Setembro de 1881, a diocese de Elvas foi extinta, passando o seu território a integrar a arquidiocese de Évora], Campo Maior voltou, portanto, a pertencer à arquidiocese de Évora. Assim sendo, à época do nascimento da Santa Campomaiorense, Campo Maior pertencia à diocese de Évora, à época dos testemunhos para o processo de canonização pertencia à diocese de Elvas, daí o “nasceu em Campo Maior, diocese de Elvas, reino de Portugal”.
[8] Ordem de la Imaculada Concepción – Confederación “Santa Beatriz de Silva”, “Santa Beatriz de Silva: Positio sobre la vida y virtudes” (traducción española), en el 25 aniversario de su canonización - Toledo - 2001, pg. 38-42.
[9] Idem pg. 43-58.
[10] Ibidem pg. 58-94.
[11] Precisamente em pleno processo de beatificação por confirmação de Culto Imemorial, iniciado em 1910 e terminado a 28 de Julho de 1926.
[12] Ordem de la Imaculada Concepción – Confederación “Santa Beatriz de Silva”, “Santa Beatriz de Silva: Positio sobre la vida y virtudes” (traducción española), en el 25 aniversario de su canonización - Toledo - 2001, pgs. 359 a 367 .
[13] Ver notas 4, 5 e 6.
[14] Ordem de la Imaculada Concepción – Confederación “Santa Beatriz de Silva”, “Santa Beatriz de Silva: Positio sobre la vida y virtudes” (traducción española), en el 25 aniversario de su canonización - Toledo - 2001, pg. 179.
[15] Idem, pg. 191 e 192.
[16] Ibidem, pg. 205 e 206.
[17] Ibidem, pg. 214 e 215.
[18] Ibidem, pg. 220.
[19] Ibidem, pg. 235.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008



"Consumi-me de zelo
em defesa da honra
da minha Mãe Imaculada
e Ela livrou-me
de todas as tribulações".
frase atribuída a
Santa Beatriz da Silva

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


"Onde se procura a Mãe,
encontra-se o Filho,
o Esposo,
o Consolo,

o que é a nossa paz
e verdadeira alegria".

Serva de Deus
Madre Maria do Patrocínio oic

sábado, 22 de novembro de 2008


"A ORAÇÃO
é a chave dourada
com que se abrem
as portas do Céu
e se entra
no Coração de Deus".
Serva de Deus
Madre Maria do Patrocínio oic

terça-feira, 24 de junho de 2008

Chamadas a imitar Maria...
Deus favorece algumas almas inspirando-lhes uma devoção singular, entusiasta e centrada na Santíssima Virgem. Estas almas, impulsionadas pela graça, consagram-se inteiramente à Senhora e identificam-se com ela mediante a prática da vida mariana, que consiste em inspirar-se para tudo na Virgem e fazer tudo em união com Ela.
Deus revela à alma mariana a excelência da Virgem, os seus privilégios e as suas virtudes, com maravilhosa claridade e divinos efeitos. A alma sente-se chamada a copiar em si as virtudes da Senhora, os seus sentimentos e aspirações, tudo o que se vê e se sabe d’Ela, mas com uma força tão misteriosa como eficaz; e em muito pouco tempo consegue tomar posse do espírito e virtudes da Senhora, cuja vida começa a ser a sua própria vida. Aprende na Virgem a amar a virtude sobre todas as coisas e a aborrecer-se até com as imperfeições mais leves, a procurar a destruição de tudo o que herdou do velho Adão e da pecadora Eva. Numa palavra, aprende a amar tudo o que é bom e adquire energias para o praticar.
Procurem ser marianas as almas que se sentem chamadas à intima união com Deus, e asseguro-vos que não lhes custará, porque não há outro meio pelo qual se consiga tão rapidamente a sua pretensão e tão vantajosamente como a verdadeira devoção à Virgem, que já disse consiste na firme e inviolável adesão à Senhora, e regular a nossa conduta pela Sua.
Venerável madre Maria dos Anjos Sorazu, oic
("La Vida Espiritual, coronada por la triple manifestacion de Jesucristo",
Madrid, 1956, Centro de Propaganda, pág. 72-82)